(Half Life 2) [bb]

Se eu não gostasse tanto da E3, acho que lançaria a eguinte idéia: que se faça a feira somente em anos de anúncio ou demonstração de consoles novos. Os períodos de entressafra costumam (ou costumavam) ser bastante chatos, e, assim como 2002, 2003 não fugiu à regra.

Enquanto Sony e principalmente Microsoft levantavam a bandeira do online e abraçavam este novo “modo de jogo” como um dos principais pilares do futuro dos games, a Nintendo veio à festa com sua venda e seus tapa-ouvidos, falando sozinha sobre “conectividade” — o que pra eles significava empurrar mais um cabo para os jogadores, com o único propósito de realizar a “maravilhosa” ligação entre o GBA e o LameCube. Lindo, Nintendo. Aliás, sei que isso é algo que eu deveria ter feito há cinco anos, mas queria propôr uma salva de palmas para esse brilhante momento da sua história.


(Eu SEMPRE quis achar um pretexto pra publicar essa imagem.)

No lado verde da Força as novidades eram poucas, mas boas. Novas funções para a Xbox Live (coisas que hoje são padrão ou nem existem mais) e alguns ótimos jogos novos fizeram parte do menu, que saciou muita gente.

Mas banquete quem deu mesmo foi a Sony. A guerra já estava ganha, mas isso não a impediu de carregar um pente novinho, cheio de munição. Chutar cachorro morto foi com ela mesmo em 2003.

E ainda teve o N-Gage. (risos)

Saiba mais detalhes sobre tudo isso e mais um pouco, como sempre, depois do continue.

Ignorando a guerra dos consoles, o jogo da feira naquele ano foi, mais uma vez, de PC. Assim como DOOM 3 empolgou no ano anterior, em 2003 Half-Life 2 explodiu cabeças numerosas demais para serem contabilizadas. Podia até não ser tão bonito quanto DOOM, mas trazia cenários mais variados, uma história muito mais envolvente, puzzles físicos e cidades inteiras para explorar, em vez de “meros” corredores escuros, como é de praxe na série da id Software. E um pé de cabra como arma, não podemos esquecer.

Revivendo uma franquia que, agora sabemos, se revelou uma ótima vaca leiteira nos anos subsequentes, a Ubisoft trouxe a notícia das Novas Aventuras de Superboy, digo, Prince of Persia. O impacto cultural foi o equivalente ao lançamento de um novo, sei lá, Double Dragon (ou Pilotwings, ou Kid Icarus, ou sei lá). O jogo foi considerado semi-revolucionário por explorar as acrobacias no gênero plataforma, além do lance todo de dar rewind nas cenas. Ninja Gaiden também mostrou acrobacias, mas ele era mais focado em combate do que em plataforma.

Falando sobre as conferências, a da Microsoft ganhou nota 6,31. Poucos jogos (Ninja Gaiden, Fable, Conker: Live and Reloaded e Prince of Persia, pra citar os mais importantes) poucas novidades (melhorias na Xbox Live e não muito mais), mas ainda assim suficiente para acalentar os fãs. Em grande arte pela exibição de um vídeo de gameplay e multiplayer de Halo 2 ao fim do falatório. Era só isso que todo mundo queria ver, mesmo, então foi todo mundo pra casa satisfeito.

Na conferência da Sony, Kaz Hirai chegou chutando portas imaginárias e declarando que “a guerra dos consoles terminou”. Gran Turismo 4 teve o maior destaque, mas também falou-se de online e Final Fantasy XI, SOCOM II e a linha de esportes da EA. Mas nada poderia preparar o mundo — e a Nintendo — para o que viria ao final do discurso: o mercado dos portáteis, desde sempre dominado impiedosamente pela Nintendo, ganharia um novo player, o PlayStation Portable. E ele vinha com especificações técnicas que deixavam o GBA com cara de Pense Bem. Lindo foi ver os executivos da Nintendo tentando responder aos jornalistas sobre qual seria a atitude dela frente a isso. Ela não tinha uma atitute a tomar. Foi pega totalmente de surpresa.

A confererência da Nintendo aconteceu um par de horas antes que a da sua nova concorrente no mercado dos portáteis, de modo que o clima ainda não entava pesado. Mas ainda assim o show foi sofrível e valeria uma nota 2,42. The Legend of Zelda: Four Swords foi mostrado, e a empresa tentou convencer todo mundo que as third-parties estavam mostrando serviço. Para tal, mostrou Metal Gear Solid: Twin Snakes e Resident Evil 4. Too little, too late.

MMORPG era a sigla do momento. WoW já estava no páreo e o gênero era tido como a grande revolução do mundo, a segunda vinda do Messias, a salvação da lavoura, ou simplesmente um tipo de jogo muito lucrativo. The Sims 2 também foi anunciado. Rolou um estardalhaço fenomenal por conta desse anúncio. Hoje em dia The Sims pode não ser mais grande coisa, mas lembre como era na época. Em 2003 até o seu cachorro jogava The SIms.

O desastroso N-Gage foi anunciado também na desastrosa E3 2003, durante uma mais que desastrosa conferência da Nokia (pena que não tem em vídeo) que envolveu desastrosas apresentações de break-dance e desastrosíssimos anúncios de preço por intermédio de uma tatuagem na barriga de uma mulherzinha cujo cachê possivelmente foi ainda mais desastroso. Não é de se admirar que as vendas do aparelho tenham sido desastrosas e a sua relevância no mercado e na história dos jogos eletrônicos não tenha sido mais do que… quase nenhuma.

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