Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Em uma recente entrevista, Dhani Harrison (filho de George Harrison, ex-Beatle) revelou três coisas:
1. Rock Band 3 está em produção;
2. Ele está participando dessa produção;
3. A participação dele consiste em “deixar a jogabilidade mais real para que você aprenda a tocar as músicas de verdade enquanto joga”.
Luke Plunkett, do Kotaku, levantou timidamente a bola dessa discussão, e eu agora chuto a gol: será que isso é bom?
Tocar guitarra é uma coisa, jogar Guitar Hero é outra. Apesar de serem duas coisas muito relacionadas no campo das ideias, quando se analisa o ato prático de fazer ambas, percebe-se que não têm absolutamente nenhuma relação. É perfeitamente possível gostar de jogar Guitar Hero e detestar tocar guitarra, assim como o contrário, assim como não gostar de nenhuma das duas coisas, ou das duas.
Será que eu esteria errado em afirmar que o momento em que um jogo musical como Rock Band se propor a buscar um realismo tamanho na sua jogabilidade a ponto de ensinar a atividade real de tocar instrumento será o momento em que o jogo vai se suicidar?
Não vai mais existir o ato de jogar ou o ato de tocar. Será uma coisa só: o ato de tocar. Não vai mais existir um jogo, mas sim uma aula interativa de música. A única diferença é que alguns instrumentistas tocariam de olhos fechados, outros olhando para uma tablatura de papel, enquanto outros tocariam olhando para uma TV ligada a um videogame.
É óbvio que isso teria a óbvia vantagem de ensinar a execução musical a toda uma nova geração de gamers. Mas ainda acho que o jogo perderia completamente a sua alma, a sua função de entretenimento.
Tanto é que eu acredito que houve algum mal-entendido na afirmação do Harrison Jr. A Harmonix não faria uma besteira dessas.
Ou faria?
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