Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Lembra quando sua mãe ficava mandando você largar o videogame e ir estudar? Então, ela provavelmente tinha toda a razão. Mas hoje em dia os viciados gamers têm em suas mãos um novo trunfo que promete unir o útil ao agradável: os jogos educacionais.
Quero dizer, pelo menos na teoria. Na prática, ainda estamos para ver alguma investida no gênero que seja de fato interessante. Não ajudam muito os calafrios que a maioria de nós tem quando ouve a palvavra “educativo” associada a videogames, mas a verdade é que não têm acontecido muitos investimentos nesse sentido.
Pelo menos até agora.

E com essa deixa nem um pouco clichê, vou partir logo ao que interessa: as Olimpíadas de Jogos Digitais e Educação, ou OJE. O projeto, idealizado pela Secretaria de Educação do Pernambuco, mostra uma tentativa de levar a educação a um novo nível, inserindo a interação com videogames em flash como meio de fixação de conteúdo ensinado em sala de aula.
Apresentados aos alunos pernambucanos em forma de olimpíada interescolar (os colégios estaduais de Pernambuco disputam pela maior quantidade de pontos acumulados), os webgames são idealizados de forma a explorar conceitos do ensino básico de forma mais interativa. Ou, em outras palavras, tornar alguma coisa sobre Biologia minimamente suportável.
Com cadastro de visitante oferecido pelos desenvolvedores (a área com os jogos só pode ser acessada pelos colégios participantes no programa), experimentei alguns jogos antes de fazer esse post, e garanto: o projeto é promissor. Apesar dos joguetes não serem lá muito profundos em termos de jogabilidade ou se esforçarem para incluir uma quantidade realmente significativa de informações didáticas, parece haver uma tentativa de sair do lugar comum. E os conceitos de jogabilidade são bem interessantes, apesar de não tão bem esclarecidos (fiquei confuso com um jogo musical que lia todas as instruções pausadamente e registrava tudo que você fazia em som; mas ao consultar o camarada Ed Lago, fui informado de que se tratava de um jogo idealizado tendo como público-alvo também deficientes visuais).

O mais importante: a equipe de desenvolvimento se esforça para tornar a experiência divertida, e isso se reflete não só nos jogos, mas também no seu discurso. Respondendo a várias dúvidas minhas sobre o projeto, Marcelo Clemente, gerente de um consórcio que envolve várias desenvolvedoras trabalhando em jogos para o OJE, fez questão de dizer que os webgames não são educacionais.
Tradicionalmente, são classificados como jogos tradicionais aqueles jogos que abordam explicitamente o tema de ensino. Na OJE, os jogos não abordam explicitamente os temas.
A diferença prática, segundo ele, é que o jogador não precisa saber Biologia para interagir em um game sobre vírus e anticorpos. “Porém, algum conhecimento do assunto pode auxiliar no desempenho”.
Só é uma pena que uma iniciativa tão legal esteja limitada aos alunos do ensino público de Pernambuco – quem sabe, se eles disponibilizassem jogos assim na internet, os seus pontos de XP adquiridos pudessem ser trocados de volta pelas tardes de estudo perdidas.
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Se você se interessa por game design e achou o projeto bacana, uma boa notícia: o OJE está precisando de mão-de-obra com o perfil dos leitores do Continue.
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