The Sims. Acho que há poucas séries no mundo PC Gamer que sejam tão polarizadoras. Há muita — muita – gente que praticamente só joga isso no computador desde que o lendário Will Wright lançou o primeiro jogo da série, em 2000. Ao mesmo tempo, há também um grande número de pessoas que simplesmente abominam a série, considerando-a uma bobagem sem tamanho.
Uma coisa, porém, é certa: não dá para ignorar a importância do simulador de pessoas da EA/Maxis. Depois de ter jogado o primeiro apenas o suficiente para sacar que eu gosto da fórmula e de ter passado completamente batido por The Sims 2 por falta de um PC competente, finalmente pude botar as mãos no novo The Sims 3, e a minha opinião você confere depois do continue.
Ah, e um aviso: a partir dessa resenha, vou testar um esquema de dois pesos para os pontos negativos e positivos. Quando um ponto estiver marcado com dois sinais ([++] ou [- -]), isso significa que é um ponto muito positivo ou muito negativo, se sobressaindo aos demais. Se alguém tiver algo contra, é só se expressar nos comentários.

[+] Um pouco de folga. Uma das maiores (e piores) lembranças de The Sims 1 era a constante e infinita corrida contra o tempo para satisfazer cada necessidade do seu Sim. Seu único objetivo era deixá-lo limpinho, bem alimentado, feliz etc. Em The Sims 3 a quantidade de barras de necessidade diminuiu, assim como a necessidade de ficar correndo atrás de preenchê-las. Sem contar que agora eles se viram muito bem sozinhos e não precisam tanto de você como babá.
[++] Objetivos de vida. Conseguir um emprego. Comprar alguma coisa cara. Conversar com um amigo. Pintar um quadro. Preparar uma macarronada. Aprender a jogar xadrez. Fazer aulas de música. São desejos que as pessoas tem, e os Sims não são diferentes. Em The Sims 3 o seu “progresso” é medido na realização destes pequenos desejos que os Sims tem. Ao conseguir realizar algum desses desejos, o seu Sim ganha pontos de “felicidade duradoura”, que podem ser trocados por recompensas — mas você também pode recusar os desejos sem nenhuma penalidade. Esse sistema faz maravilhas pelo ritmo de jogo, já que você sente que está sempre avançando, sempre crescendo, sempre evoluindo — e a passos rápidos. Para terminar, há um objetivo maior, que é meio aleatório e você precisa perseguir durante a vida inteira do seu Sim.
[++] Meu Sim é assim. Graças aos traços de personalidade (outra novidade do jogo), você pode dar ao seu Sim características marcantes. O meu, por exemplo, tem a característica “Avoado”. É muito divertido ver o Fabio Brachiro começando a fazer alguma coisa e esquecendo do que estava fazendo logo depois, assim como eu vivo fazendo. Outra característica dele é ser empolgado com qualquer coisa. Esses dias eu estava jogando, e ele, ao levantar da cama, deu um espirro fortíssimo… e se divertiu pra caramba com isso. Bobo e idiota, igual a mim. Mas a cereja no bolo foi quando eu finalmente comprei um computador para ele e o safado simplesmente parou de se preocupar com outras coisas. Se eu deixar ele sozinho por um minuto, quando eu voltar ele estará fatalmente jogando no computador. É o meu verdadeiro eu digital! (Só que mais magro.)
[+] Mundo permanente. O mundo do seu Sim não é mais limitado à sua casa, mas à cidade inteira. E ela vem com dezenas de moradores, que persistem durante todo o jogo. Cada Sim que você vê na rua vai continuar existindo e crescendo junto com os seus. Assim como os Sims adultos envelhecem e morrem, os seus filhos que hoje são bebês, eventualmente serão adultos. Isso, apesar de ser meio insignificante na teoria, faz com que o jogo tenha todo um apelo de universo paralelo que faz você ter vontade de jogar quando não está jogando.
[+] Detalhes. Os gráficos são até mesmo simples, mas a cada vez que você joga você vê novas coisas. São muitos itens, pessoas, interações, objetos e lugares, cada um com seus detalhes (sejam gráficos ou não), de modo que você sente que está sempre descobrindo algo no jogo, mesmo depois de dezenas de horas.
[+] Trabalho de localização competente. Eu normalmente não gosto de jogar jogos de PC em português. A localização muitas vezes é sofrível e te faz ficar imaginando como certos termos estranhos eram em inglês. Em The Sims 3 eu posso dizer que a localização da EA Brasil ficou excelente. Em nenhum momento eu pensei “ih, traduziram isso de um jeito muito estranho”. A impressão que dá é que o jogo já foi pensado em português, apesar de isso obviamente ser mentira. O maior parabéns vai para as descrições dos itens — algumas delas são impagáveis.
[+] Machinima. Como qualquer um que já tenha visto Alice & Kev sabe, as possibilidades de fotografia e gravação de vídeo in-game são ótimos brinquedos para quem se interessa por isso.

[- -] Faltam-me mãos. Eu citei que o jogo está mais tranquilo por causa da menor preocupação em satisfazer as necessidades do seu Sim, mas isso não quer dizer que ele tenha virado um passeio no parque. Quando o seu Sim está com fome, com vontade de ir ao banheiro, precisa ir trabalhar e aparece um vizinho batendo na porta para conversar, você vê que não tem como fazer tudo ao mesmo tempo. Assim como na vida real, você se sente pressionado por todos os lados com tantas coisas acontecendo e que precisam de alguma atitude sua. E isso definitivamente pode afastar algumas pessoas do jogo.
[-] Repetitivo. The Sims 3 oferece um mundo cheio de possibilidades, quase como o mundo real. Você pode fazer e ser o que quiser… desde que tenha tempo pra isso. O dia tem 24 aceleradas horas, mas seis delas morrem no emprego que o seu Sim escolher, mais algumas nas horas de sono, banho, banheiro e refeições. Sobra pouco tempo para fazer as coisas que você quer (correr atrás dos desejos, por exemplo), e pior: você logo enjoa de fazer as mesmas coisas na maior parte do tempo. É claro que o seu Sim pode viver sem um emprego, mas será que ele seria feliz sem dinheiro?
[-] Criação de personagens é completa, mas complicada. É durante o modo de criação de edição de personagens e estilos que o jogo mostra alguns dos seus melhores gráficos e avanços de interface, mas ainda assim é tudo muito complicado. Há explicações, mas elas são textuais em sua maioria. Você sempre fica com a impressão de que nunca vai entender direito pra que tudo aquilo serve. Durante o jogo, porém, a interface é bem clara, simples e inteligente.
[-] Rede social. Fora do jogo, há um site de relacionamento entre os jogadores, onde você pode fazer um cadastro para compartilhar itens, mensagens, coisas assim. Só que de tão confuso que isso é, eu mal testei. Definitivamente, deveria ter sido melhor implementado — ou eliminado.

A parte mais divertida de The Sims 3 é, na minha opinião, criar um Sim que seja o mais parecido comigo e fazê-lo levar uma vida bem diferente da minha (o meu Sim é policial, veja só!). E esse tipo de experiência é algo que você só encontra nessa série. Como a parte técnica do jogo não deixa a desejar em nenhum momento, não tenho dúvidas em recomendá-lo para quem quer que esteja procurando um jogo de PC que fique bem longe dos tiros, sangue e adolescentes mal-educados no chat por voz.
The Sims 3 é um jogo exclusivo para PC lançado pela EA Brasil em junho de 2009 ao preço de R$99,00. Para esta resenha eu joguei várias horas, sempre com o mesmo Sim, chegando a casar, mas sem ter filhos.
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