
Com todos os consoles na praça e o Dreamcast já morto e enterrado, na E3 2002 o foco das empresas foi em consolidar suas máquinas. Portanto, há de se admitir que foi um ano meio sem graça para a E3, ainda mais se comparado com os dois anos anteriores. Não tem jeito: os melhores anos da feira são sempre aqueles em que algum console novo é revelado.
Seguindo esta intenção de fortalecer seus consoles, Nintendo, Sony e Microsoft tentaram ir além do básico e não se limitaram a mostrar apenas jogos. O 2002 foi o ano dos acessórios na E3. A Sony introduziu a sua EyeToy, a Nintendo mostrou o e-Reader e a conexão GBA/GameCube, enquanto a Microsoft mostrava visão de futuro e apostava na Xbox Live.
No entanto, a feira foi boa mesmo para quem tinha acabado de (ou estava pensando em) fazer aquele upgrade bacana no PC. Entre os muitos jogos bacanas para a plataforma, um se destacou e acabou sendo o grande nome da E3 naquele ano: DOOM 3.
Saiba mais sobre os principais jogos anunciados depois do continue.

Sobre os muitos acessórios mostrados, é interessante comparar a situação da indústria naquele tempo com hoje em dia — por mais que sejam apenas seis anos de diferença. Não sei se é simplesmente uma questão de qualidade, mas por algum motivo a aceitação dos acessórios hoje em dia está bem maior. As vitrines de lojas de games, que na época mostravam basicamente só os jogos, hoje estão tomadas de guitarras, stylus personalizadas, docks para PSP, grips para DS e tranqueiras brancas inúteis para o WIi Remote. Entre os acessórios anunciados naquela época, nenhum fez sucesso. A conexão do GameCube com o GBA foi uma piada extremamente subutilizada, assim como o e-Reader, que até viveu um pouco mais (graças ao apoio da franquia com o Toque de Midas: Pokémon). A EyeToy, da Sony, existe até hoje e é em legal, mas quantas pessoas você conhece que têm, já tiveram ou pretendem comprar uma?
Felizmente, ao contrário dos acessórios, muitos bons jogos surgiram dessa vontade instintiva que cada empresa tinha de manter o interesse dos gamers em seus consoles. A Sony anunciou/mostrou altas pérolas, como Sly Cooper and Thieveus Racoonus, Onimusha 2: Samurai’s Destiny, Ratchet & Clanck, Contra: Shattered Soldier e Zone of The Enders: Second Runners. Interessante notar como os jogos tinham cores além de preto, marrom e cinza naquela época. De grande impacto também foi o anúncio de que a série Grand Theft Auto passaria a ser exclusiva do PS2. O maior destaque da parte sonysta da feira, no entanto, não tinha nada da violência de GTA: foi o meigo e inusitado RPG da SquareSoft, Kingdom Hearts.
Talvez a maior polêmica do show tenha sido originada no estande da Nintendo. Depois de ter mostrado um Zelda realista no incrível vídeo da E3 anterior, Miyamoto surpreende a todos mostrando trechos do que viria a ser The Legend of Zelda: Wind Waker. Fanboys machões declararam instantaneamente que o game seria porcaria, ignorando que a genialidade de Miyamoto no comando da série Zelda é inquestionável. Quem passou por cima do aspecto gráfico e deu uma chance ao jogo depois de lançado pode confirmar: Wnd Waker é um dos melhores da série.
Além do Zelda em Cel-Shading (que seria chamado, em tom de piada, de “Celda” pelos fãs chatos pelos próximos anos), a Nintendo anunciou outro título próprio de grande destaque: Super Mario Sunshine. Por ser bem diferente do que foi visto no vídeo de Mario 128 do ano anterior, deixou muita gente confusa. Outros jogos da Big N na feira de 2002 foram Metroid Prime, Resident Evil 0, F-Zero e Eternal Darkness para GameCube, e The Legend of Zelda: The Four Swords, Golden Sun 2, Metroid Fusion e Yoshi’s Island para GBA, entre outros.
A Microsoft também entrou carregada de tijolos feitos de pura expectativa, e jogou todos sem dó na cabeça dos presentes. Entre a massiva lista de jogos anunciados, citados, mostrados ou prometidos, os destaques ficam com Ninja Gaiden, Half Life: Counter-Strike, Psychonauts, o revolucionário Blinx: The Timesweeper (que tinha viagens no tempo como base de jogabilidade antes disso virar bunda), Star Wars: Knights of the Old Republic, Phantasy Star Online, Splinter Cell, Star Wars Galaxies, MechAssault, Dead or Alive Extreme Volleyball, Panzer Dragoon, Psychonauts, Shenmue 2, Project Gotham Racing e um dos jogos que eu mais tenho vontade de jogar na minha vida, mesmo eu sabendo que deve ser um trocinho de tão ruim: ToeJam & Earl 3. Metal Gear Solid 2: Substance também causou comoção.
Dois mil e dois também foi o ano do online. Além da Microsoft mostrar a Xbox Live (anunciando a compatibilidade de vários jogos — o que não incluía, ainda, Halo), a Sony também revelou seus ambiciosos planos para as capacidades online do PS2, que incluíam não apens a jogatina, mas também distribuição de músicas, vídeos e outros tipos de conteúdo multimídia. A Nintendo até deu dicas que entraria na jogada, mas parece ter mudado radicalmente de idéia logo depois. No campo dos PCs, não é necessário falar muito mais além de que a E3 2002 foi a primeira com a presença do futuro RPG definitivamente massivo da Blizzard, o World of Warcraft.
Mesmo com todo o fuzuê causado pelas “três grandes”, o jogo mais badalado da feira foi, sem sombra de dúvidas, DOOM 3. O primeiro jogo da série em quase uma década, ele apareceu meio de surpresa na feira, com alguns minutos de jogo sendo exibidos em uma pequena sala de vídeo da id Software dentro do estande da Activision, e filas monstruosas se formaram logo em seguida. O jogo não apenas tinha gráficos ridiculamente maravilhosos, melhores inclusive do que muitas CGs de então, mas também revolucionava a série. DOOM não mais seria aquele festival de tiros rápidos, com os jogadores passando como furacões por cada sala e achando munição em cada canto, mas se tornaria algo mais próximo de um survival horror em primeira pessoa. Dava medo, pra caramba. E as pessoas adoraram. DOOM 3 deu novo fôlego ao PC como plataforma de jogos em 2002.
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