
[Apenas um avisinho antes de começarmos a nossa segunda viagem pelo passado da feira cujo futuro estaremos presenciando na semana que vem. Algumas pessoas perguntaram "Por que começar por 2000, se a primeira E3 aconteceu bem antes disso?". A resposta é: porque nós queríamos fechar uma semana -- não mais, não menos -- e queríamos terminar essa semana no ano de 2007, pra entrar 2008 com tudo fresquinho na memória!]
Dois mil e um foi um ano estranho. Em janeiro daquele ano a SEGA fez o histórico anúncio de que abandonaria o mercado dos consoles. O Dreamcast, que tinha muitos fãs e nem sequer parecia estar com um desempenho tão fraco assim, subitamente não teria mais um sucessor. Ele ainda receberia jogos e suporte por algum tempo, mas estava oficialmente respirando por aparelhos. Milhões de fãs pelo mundo todo estavam inconsoláveis. Enquanto isso, a Microsoft preparava o seu Xbox, que, apesar de ter sido anunciado no ano anterior, ainda não havia sido mostrado ao mundo. Uma empresa querida e veterana “falira”, enquanto outra, que não gozava da simpatia da maior parte do mundo, entrava no jogo. Sabe quando aquele ator carismático e tradicional sai de uma série de TV depois de várias temporadas, sendo substituído por outro que não tem nada a ver? Era assim que o mundo dos games se sentia no início de 2001.
Mas para boa parte dos gamers, essa sensação de vazio só duraria até maio, mês em que ocorreu uma das mais memoráveis E3 da década. Não apenas pela revelação da Caixa X da empresinha do tio Bill, mas também — e mais ainda! — pela revelação do Dolphin. Dolphin? Sim, o sucessor do Nintendo 64, que era aguardado com ansiedade por turbas de Nintendistas sedentos pela reparação dos erros cometidos pela Nintendo com o seu console de 64 bits. É claro que, assim como o Revolution mudou de nome para Wii, o Dolphin chegou sob outra alcunha: GameCube.
No outro canto da arena, a gigante Sony nunca fora tão grande. Descansando sobre os louros do próprio sucesso merecido, mas não dormindo no ponto (como faz hoje em dia, se me permitem a justa alfinetada), a dona do PS2 mostrou um grande arsenal de pesos pesados, que garantiriam que todo gamer que tivesse um mínimo de respeito próprio acabasse adquirindo um dos seus consoles.
Após o continue você embarca com a gente em mais uma viagem pelo passado. Quais jogos foram mostrados pela Sony? Como foi a recepção do GameCube? Duke Nukem Forever apareceu de novo? As Booth Babes foram mais gostosas que as do ano anterior? Essas respostas e outras estão a um clique de distância (ou uma linha, caso você esteja lendo no feed).

Causando uma boa impressão em quem já aceitava o fato de que a Microsoft viera para ficar, o Xbox trouxe uma linha extensa de jogos, que ia de Oddworld: Munch’s Oddysee a Dead or Alive 3, passando por Medal of Honor: Allied Assault, Jet Set Radio Future, Project Gotham Racing e, claro, Halo. Confira alguns trechos da coletiva de imprensa da Microsoft naquele ano, incluindo algumas imagens de Halo numa época em que ele não era nada.
Os fãs da Nintendo viviam um momento de expectativa. Na Spaceworld 2000 (evento exclusivo da Nintendo que não acontece há sete anos) havia sido mostrado um dos vídeos mais históricos da história da empresa — aquele que, de uma vez só, mostrava o lendário Super Mario 128 e uma batalha entre Link e Ganondorf em um ambiente realista, além de alguns outros conceitos e jogos planejados para o recém-anunciado GameCube. A E3 acabou sendo um tanto menos emocionante que isso, apesar de marcar o anúncio ocidental do GameCube. Entre os jogos mostrados, se destacavam Smash Bros Melee, Metroid Prime, Pikmin e Luigi’s Mansion, mas também foram exibidos Wave Race: Blue Storm, o nunca lançado Donkey Kong Racing, Animal Crossing (que, na época, ainda se chamava Animal Forest), Eternal Darkness e Kameo: Elements of Power (sim, o mesmo que acabou virando título de lançamento do Xbox 360).
O vídeo apresentando tudo isso é esse aqui:
A Sony, sentada no seu trono feito de notas de cem dólares, tinha como único trabalho assegurar-se que o PS2 continuaria recebendo jogão atrás de jogão. E assim foi feito. Gran Turismo 3 A-Spec foi a menina dos olhos dos amantes de automobilismo, e mais trailers de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty atiçou nova as glândulas salivares da audiência (apesar de ter sido anunciado e exibido na E3 do ano anterior, ele só seria lançado no fim de 2001). Frequency, o primeiro jogo semi-famoso da então desconhecida Harmonix, e Ico, que viria a ser um dos mais impressionantes feitos artísticos da história dos games, também tiveram seu espaço no show. Assim como Tony Hawk’s Pro Skater 3, tido por muitos até hoje como o melhor jogo da série.
A toda-poderosa SquareSoft (que ainda não havia se fundido à Enix) era o braço direito da Sony, e pôs um grande show. Além de falar muito sobre Final Fantasy X, ela ainda deu as primeiras informações sobre o XI, chocando o mundo ao anunciar que ele seria totalmente online, “totalmente novo”. Pra terminar, ainda mostraram o trailer do filme Final Fantasy: Spirits Within, que estrearia (e fracassaria epicamente) dois meses depois.
Poderíamos não saber disso ainda, mas na E3 2001 seria mostrado um jogo, um “simples” jogo, que ditaria tendências, moldaria a indústria, afetaria o mercado, inflamaria veículos de mídia, enriqueceria uma produtora e daria sentido à vida de um certo advogado americano, entre outros feitos notáveis. Um jogo que cravaria permanentemente as três palavras que compõem seu nome na história dos games, e que não sairia do seu lugar de honra até os dias de hoje. Um jogo que se chamava Grand Theft Auto 3.
Outro motivo porquê a E3 2001 foi histórica: naquele ano, apesar de Duke Nukem Forever já estar devidamente consolidado como piada da indústria, a 3D Realms soltou o trailer abaixo, cuja melhor descrição é “calaboqueador”. Longo, épico, empolgante, cheio de partes que mostravam o jogo rodando. Muitos alienígenas explodindo. Duke andando de moto em visão de primeira pessoa. Foi simplesmente de cair o queixo. No último segundo do trailer, a data de lançamento: “Quando estiver pronto”. Depois de ter assistido àquele trailer, pouca gente ainda duvidava que o jogo não seria lançado em no máximo um ano. E aqui estamos nós, em 2008. Rindo.
Leia mais:
E3 2000
6 comentários em "[Aquecimento E3 2008] Parte dois: 2001"
2:14 am
Tem alguns posts que a gente termina e depois dá um orgulho…
10:47 am
Um detalhe importante nessa história toda foi que na conferência pré-E3 da Microsoft em 2001, quando eles mostraram o Xbox pela primeira vez, quem apresentou o console - com um discurso muito do paga-pau - foi o Peter Moore, que na época era presidente da Sega of America. Pra vocês verem como o mundo dá voltas.
1:17 pm
Cara, é impressionante como esse trailerzinho do Zelda não parece mais tão legal quanto parecia quando eu tava na quarta série |:
1:34 pm
Acompanho o continue tem algum tempo já, apesar de nunca comentar.
Mas com essas retrospectivas me vejo obrigado: tapinha nas costas pra vocês.
Continuem o bom trabalho.
Os leitores agradecem.
Quanto ao trailer do zelda, eu lembro do estardalhaço que foi na época. É engraçado olhar pra trás tendo em vista os jogos da série que já sairam desde esse vídeo. Hoje ele de fato, parece meio tosco.
2:03 pm
Essa E3 foi boa. Marcou o inicio da nova geração, já que os 3 consoles já não eram mais “projetos” quando foram apresentandos.
A única burrada foi a Nintendo ter repetido (sem necessidade) o vídeo da luta do Link mostrado na Shoshinkai 2000. Basicamente fez o povo ter certeza de que aquele era o proximo Zelda. Mas, quando WW foi mostrado, deu no que deu.
7:00 pm
Simplesmente fantástico!
Continue tah de parabéns!
Comente, participe!
Quer ter um avatar mais bonito do que esse azul padrão? Cadastre a sua imagem no Gravatar usando o email que você usa para comentar aqui. E nunca mais seja igual aos outros!