
O post que eu escrevi sobre o Project Natal repercutiu legal. Muitas pessoas confessaram estar tão empolgadas quanto eu (ou talvez nem tanto, mas ainda assim um pouco). Porém, conforme esperado, existem sempre os céticos. Normal.
Entre eles, há um argumento que me deixou curioso: o de quem diz que tudo que o Natal aparenta ser capaz de fazer foi mostrado em um vídeo, e a maioria daquelas coisas pode muito bem nunca virar realidade nas nossas salas de estar, “afinal, o Wii Remote também apareceu em um vídeo bacana sendo usado de várias maneiras legais, e veja como ele acabou sendo utilizado hoje em dia”.
Boa ideia, amigo cético! É exatamente isso que eu vou fazer!
Confira, depois do continue, a análise quase quadro a quadro do vídeo de anúncio do Wii Remote, quando este foi anunciado na Tokyo Game Show de 2005, e a apuração sobre quais ideias mostradas lá realmente foram postas em prática.

Como que em uma previsão do futuro, o vídeo começa com um japinha e a sua namorada (ou irmã?) fazendo movimentos bem parecidos com os primeiros que nós fizemos quando tiramos os nossos Wiis das caixas: raquetadas de tênis.
Promessa cumprida? Sim, com Wii Sports e vários outros.

Uma dupla de japas tentando parecer franceses e fracassando miseravelmente é vista fazendo movimentos que em muito lembram o prazeroso fatiar de hortifrutigranjeiros, mas acabam remetendo de forma geral à maravilhosa arte de garantir a nossa nutrição de forma mais gostosa do que comer carne semi-crua em fogueiras feitas com o atrito entre dois gravetos secos.
Promessa cumprida? Sim, é só perguntar à Mama.

Velhinhos tranquilos regendo uma orquestra, seguidos por um americano metido a modernoso tocando bateria com dois Wii Remotes, são o prelúdio de um dos menos interessantes jogos que começam as letras W, I e I.
Promessa cumprida? Sim, com Wii Music. Se por um lado não dá pra tocar bateria com dois Wii Remotes (só Wii Remote + Nunchuk), por outro, temos a Wii Balance Board que serve como bumbo e nem foi prometida no vídeo.

No segmento mais curto do vídeo, duas tacadas em dois segundos foram o suficiente para uma promessa: jogos de baseball.
Promessa cumprida? Sim, com Wii Sports e alguns outros.

Vô e neto em um bonito momento de celebração à milenar cultura de iludir um peixe com um gostoso quitute anelídeo, prosseguindo então à lúdica atividade de furar o seu queixo com pedaço de metal afiado.
Promessa cumprida? Sim. Sem contar os diversos jogos de pescaria, temos também o ótimo minigame de Zelda: Twilight Princess, que provavelmente é mais divertido que a grande maioria — senão todos — os jogos dedicados à atividade.

A única explicação possível para uma atividade nojenta como mexer na cavidade bucal de outra pessoa ter sido escolhida para fazer parte do corte final de um vídeo tão importante é também a única que eu consigo pensar: foi feito por japoneses.
Promessa cumprida? Hm… não. WarioWare: Smooth Moves até tem alguns joguinhos que você segura o Wii Remote exatamente daquele jeito, mas WarioWare não conta, né?

A ação mais corriqueira de qualquer jogo do Mario foi mostrada nestes cinco segundos enquanto uma oriental esteticamente agradável fazia um repetitivo movimento de erguer o Wii Remote para sinalizar um estímulo para que o encanador italiano saísse do chão. Mas mesmo naquela ocasião, em que tudo era novo, empolgante e mágico, nos perguntávamos: não será mais fácil simplesmente apertar um botão?
Promessa cumprida? Sim! Eu já tinha escrito esta frase de outra forma, dizendo que a promessa não havia sido cumprida, mas aí lembrei de uma pequena pérola: de Blob. Nele, você pula dando uma pequena chacoalhada com o Wii Remote. E, pra falar a verdade, é bem possível que muitos outros jogos usem esta mecânica para pular — eu é que não estou lembrando deles.

Imediatamente ao ver os dois cidadãos usando seus Wii Remotes como lanternos, nos perguntávamos se uma sequência para Luigi’s Mansion estaria a caminho. Alguns empolgados, outros apreensivos.
Promessa cumprida? Sim. Apesar de eu nunca ter jogado algum jogo que utilizasse o Wii Remote como artefato iluminador (além de um minigame do terrível Mario Party 8), dei uma rápida googleada e descobri no mínimo dois: Silent Hill: Shattered Memories e Fragile — ambos ainda não lançados. Deve haver mais.

Sério, o que é que eles estão fazendo?
Promessa cumprida? Ok, sério agora, o que eles estão fazendo?!

Tiros, adrenalina, bullet-time e um ator exageradamente imerso se escondendo atrás do sofá, apesar de isso mais atrapalhar do que ajudar. Tudo isso para prometer que os jogos de tiro seriam melhores do que nunca com o Wii Remote.
Promessa cumprida? Pô, e como. O que mais tem no Wii são jogos de tipo (sem contar coletâneas de minigames, jogos de exercício e bobagens casuais).

Inicialmente eu questionei se realmente seria divertido um jogo baseado em matar moscas com movimentos do Wii Remote, mas aí eu lembrei de Mario Paint.
Promessa cumprida? Não. Que bom, né?

Ainda mais do que a metáfora da arma de fogo, usar o Wii Remote como uma espada foi literalmente a primeira coisa que passou pela cabeça da maioria das pessoas quando descobriram o controle. E também foi a primeira a passar pela cabeça da Ubisoft, que tratou logo de explorar a mecânica (as duas, aliás) em seu jogo de estreia no console, o Red Steel.
Promessa cumprida? Sim, claro. Não apenas com Red Steel, mas também — de certa forma — com Zelda: Twilight Princess, entre outros.
O vídeo de estreia do Wii Remote teve exatamente o mesmo propósito do video de estreia do Project Natal: preparar (e atiçar) as nossas mentes para as possibilidades de uma nova tecnologia. O vídeo fez 12 promessas, e 9 delas viraram realidade em um ou vários jogos.
Mais importante do que apontar para a cara do seu fanboy de estimação e dizer “RÁ, QUASE UM TERÇO ERA MENTIRA” é analisar quais das 12 não foram utilizadas como mecânica principal de jogo: matar moscas, simular a atividade de um dentista e… aquela coisa com os palhaços que até agora eu não entendi. Elas com certeza não foram aproveitadas porque não seriam divertidas o suficiente para sustentar um jogo.
Da mesma forma, algumas das coisas que vimos no vídeo do Natal provavelmente também não serão aproveitadas, e isso de fato será ótimo. Isso é natural e previsível. Até porque muitas outras, não mostradas no vídeo e potencialmente mais bacanas, certamente serão implementadas.
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