Crianças hoje em dia…

Eu nem sei porquê assinei aquela newsletter Thinking Out Loud, do 1UP. Sempre que ela chega, eu clico, passo o olho metodicamente e, em menos de três segundos, estou de volta à caixa de entrada no Gmail. Mas ontem ela me troxe um link bastante interessante: este. Que, por sua vez, me levou a este. Ambos são leituras extremamente interessantes para o gamer mais hardcore, que acompanha não só os lançamentos, mas também a indústria como um todo, e principalmente o mercado editorial.

Mas não clique nos links ainda. Clique no continue e descubra que papo estranho é esse de crianças escrevendo reviews.

Ok, agora que você clicou, eu explico. Um cara chamado Akimoto Akira, de quem eu nunca ouvi falar, propôs em um dos blogs do 1UP (não sei se ele trabalha no site ou é um dos leitores que mantém blogs lá) uma discussão muito interessante, que transfiro para cá. Basicamente, o que ele propõe é que os veículos de comunicação que analisam games deveriam colocar crianças para analisar os títulos infantis. Crianças de 10 a 12 anos analisariam os jogos com classificação E (Everyone), enquanto as de 13 a 16 anos escreveriam sobre os T (Teens +13).

Ele explica que essa idéia maluca surgiu na sua cabeça quando ele leu uma frase parecida com “E quando você está diante de objetivos com tempo-limite que partem do princípio que a jogabilidade não é horrenda, até mesmo as pequenas garotinhas que são o público-alvo do jogo vomitariam de frustração”. Ora, se o público-alvo são as pequenas garotinhas, alguém deveria ouvir o que elas acham do jogo, e não um marmanjo provavelmente perto dos 30 anos (pra menos ou pra mais) que não faz a menor idéia do que o público-alvo de um jogo como, digamos, Bratz: Super Babyz, acharia divertido. Pelo menos essa é a linha de raciocínio do nosso amigo Akimoto.

O segundo link leva a um texto mais antigo, que inclusive serviu de inspiração para o primeiro, onde o autor (Matt Spayth, também nunca ouvi falar) faz uma afirmação que já está até virando clichê: é hora de acontecer mudanças drásticas nos reviews. O texto diz que o sistema de notas utilizado é baseado em uma “fórmula mágica” que supostamente é capaz de calcular o quanto um jogo é bom analizando coisas como gráficos, som e jogabilidade, e traduzir essa qualidade em uma nota númerica. Mas que hoje os games são muito mais complexos e multidimensionais do que eram quando essa forma foi estabelecida como padrão. Uma frase do texto que eu adorei foi essa: “advancements in technology have provided game developers with a wider canvas to work on. Therefore, critics need a new canvas as well”. (Eu traduziria como “avanços na tecnologia deram aos desenvolvedores uma tela maior para pintar. Sendo assim, os críticos precisam de uma tela maior também”.)

Mas voltemos à questão central: a das crianças. Eu, particularmente, acho a idéia tão bizarra que poderia funcionar. Seria, sim, incrivelmente interessante ver os pensamentos de uma criança a respeito de um jogo infantil. E não há crianças fazendo coisas muito mais complexas do que escrever, como, por exemplo, atuar em filmes? Eu realmente acho que poderia funcionar, ou no mínimo ser uma experiência curiosíssima, desde que a opinião da criança seja apresentada junto à de um jornalista adulto, profissional. Mesmo que a do adulto fosse a “segunda opinião”, a secundária.

O autor do texto do primeiro link explicou extensivamente outras vantagens e peculiaridades do método, então eu recomendo a leitura agora… e a subsequente volta ao Continue, para deixar a sua opinião registrada. Não se esqueçam: a minha opinião vale tanto quanto a sua.

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