Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

[A resenha a seguir foi escrita e enviada pelo nosso leitor e amigo Giancarlo "Zero". Agradecemos imensamente a colaboração, mas reiteramos que a resenha não reflete necessariamente a opinião do blog a respeito do jogo.]
Eu não sou lá muito fã de jogos de tiro em primeira pessoa, seja qual for o console ou plataforma. Nunca fui dotado de uma coordenação motora excepcional, digna dos mais épicos headshots de CS nas lan houses próximas da minha casa (o que é estranho, já que quando eu era mais novo, jogava Quake 3 Arena até dizer chega). Sempre apanhei pra caramba no Team Fortress 2 (o Fabio Bracht que o diga), por exemplo. Esses detalhezinhos e muitos outros contribuíram para que o gênero FPS fosse aquele que menos atraía a minha atenção na hora de escolher o que jogar.
Mas não dá pra negar a popularidade do gênero. Por isso que quando um jogo como Modern Warfare 2 é lançado é sempre esse alvoroço. E jogos de temática bem diferenciada como o já citado Team Fortress 2 proporcionam uma diversão excepcional. Geralmente é esse tipo de FPS que acaba me fazendo tentar novamente.
Os portáteis, apesar de não funcionarem tão bem para esse tipo de experiência, também têm vez na brincadeira. O Nintendo DS sempre teve vários títulos de FPS, que eu costumo dividir em três tipos. Em order crescente de qualidade: os ruins, os bons e Metroid Prime: Hunters. Mas a série Call of Duty, distribuida pela Activision e criada para o DS pela n-Space, sempre se destacou no portátil da Big N. Aproveitando o sucesso de seu primo rico Modern Warfare 2, a Activision lança Call of Duty: Modern Warfare Mobilized.

Diferente dos jogos anteriores da série pro DS, Mobilized tem um enredo contemporâneo, que complementa o de Modern Warfare 2. Aqui você cumprirá missões situadas em um país da América do Sul, revezando entre o controle de soldados americanos e britânicos, para impedir que um grupo terrorista detone uma arma de destruição em massa. Temática enjoada, sim, mas melhor isso do que matar nazistas de novo.
No desenrolar da historinha voce vai matando uma penca de inimigos enquanto alterna a chacina com minigames que voce deve completar usando sua caneta Stylus e a tela de toque para progredir na fase. Coisas como hackear senhas de sistemas de segurança, alinhar e controlar satélites, rastrear e desativar bombas… o trivial. Além disso, as fases em si procuram sempre ser as mais variadas possíveis, possibilitando pilotar um tanque de guerra, lançar ataques a bordo de um bombardeiro, metralhar alguns terroristas enquanto passeia de helicóptero e até controlar um minirrobô de rastreio por controle remoto, no melhor estilo Perfect Dark.
A jogabilidade funciona de forma extremamente satisfatória e eficiente para um FPS, graças à muito bem vinda tela de toque, e não é nenhum mistério para quem já jogou os Call of Duty anteriores para o DS. Com o direcional (ou os botões A, B, X e Y, caso voce seja canhoto), você faz seu personagem andar. Os botões L e R são para atirar. Ao deslizar a Stylus voce controla a mira. Dois toques para cima no direcional e seu personagem corre. Dois toques para baixo e ele se agacha, aumentando a precisão dos disparos, enquanto obviamente proporciona uma melhor proteção.
Além disso, na tela de toque, há ícones para as armas que você carrega consigo: para recarregar, dê um toque sobre a arma. Para mudar de arma, mantenha pressionada a stylus sobre a arma e outra aparecerá ao lado. Deslize a stylus pra cima dela e depois solte e você mudará de arma. O mesmo serve para escolher o tipo de granada, logo abaixo da arma (uia, tem até Flashbangs! Bons tempos de CS… ^^). Na parte de cima da tela de toque há um ícone de um alvo: tocando-o, você vai poder mirar com sua arma com mais precisão (mas passará a andar mais lentamente). Em certas partes do cenário, ou dependendo da situação, surgirão outros ícones na tela de toque, os quais você poderá tocar para executar alguma ação. Tudo de forma extremamente intuitiva.
No menu de opções, você encontra os costumeiros ajustes de inversão da mira e sensibilidade de movimentação da mesma, entre outras coisinhas.
Um monte de gente reclama do baixo poder de processamento gráfico do DS, mas esse povo que fala mal tem que admitir que a n-Space tira leite de pedra toda vez que faz um Call of Duty pro DS. Em Mobilized, no entanto, eles se superaram!
Embora ainda existam evidências claras das limitações do DS (como a pouquíssima variedade de modelos de soldados inimigos e frame rate não muito estável), os cenários em geral são muito bem detalhados e até tem umas partes que podem ser destruídas nos tiroteios. Outra coisa muito bonita de se ver é a maneira como utilizaram alguns filtros pra simular efeitos, como quando você controla o tanque de guerra e a tela fica toda esverdeada, como se voce estivesse vendo pelo computador do veículo; ou quando você está em uma missão stealth a bordo de um bombardeiro e vê a tela em preto e branco com aquele HUD cheio de termos malucos ao redor. Com certeza são detalhes bem caprichados. Além disso, à medida que você avança no jogo, vai encontrando algumas fases realmente grandes, com cenários variados e bem feitos.

Os efeitos sonoros seguem o padrão de todo joguinho de tiro bunda suja que voce vê por aí: tiros, gringos gritando GO GO GO/FIRE IN THE HOLE, tiros, inimigos gemendo enquanto morrem, tiros, explosões, mais tiros… e, claro, tiros.
No entanto é na MÚSICA que o jogo brilha: Buscando transportar o maximo possível daquele clima cinematográfico encontrado em Modern Warfare 2, Mobilized traz em seu repertório trilhas de ação muito bem executadas, embora fiquem um pouco repetitivas após um tempo (por motivos óbvios). Assista ao trailer do jogo e voce fará uma pequena ideia de como é uma das músicas.
Se tem algo em Call of Duty: Modern Warfare Mobilized que merece reclamações é a inteligência artificial do jogo. Mas não me refiro aos inimigos: eles cumprem muito bem o seu papel de te matar na primeira oportunidade (jogue no dificil e comprove). O problema está nos dois aliados que te acompanham por todo o jogo.
Com certa frequencia seus aliados mais atrapalham do que ajudam. Embora eles consigam matar os inimigos sem se enrolarem, é comum eles ficarem no seu caminho justo na hora daquela retirada estratégica. Uma das táticas que eu gosto de fazer (e que, creio eu, muita gente faz) é ficar quase na porta de uma sala, enquanto o inimigo do lado de fora me espera pra tentar me matar. Aí eu saio, tento mirar, dar uns tiros e voltar rapidamente pra evitar ser alvejado. Só que nem sempre eu consigo fazer isso porque sempre tem um aliado mané bem atrás de mim, bloqueando a passagem e impedindo que eu entre. Em outros jogos o aliado sacaria que eu queria entrar de novo e abriria passagem, o que infelizmente não ocorre em Mobilized.
E isso quando os soldados não resolvem se abaixar no meio da subida de uma escada qualquer, bloqueando a mesma e impedindo que você a suba. Tive que desligar e religar meu DS duas vezes por causa disso.
Não se desespere se você zerar a campanha de Mobilized, caro amigo. O modo Multiplayer foi melhorado em diversos aspectos e vai te manter ocupado por mais um BOM tempo.
Pra começar, agora o jogo suporta partidas com até 6 jogadores em vez de apenas 4, como visto em World at War, o que é uma adição extremamente bem vinda (embora eu prefira partidas de 8 jogadores, mas tudo bem). O jogador pode disputar partidas sem fio locais e também através da Nintendo Wi-Fi Connection.
Outra excelente melhoria (e agradeçam a Metroid Prime Hunters por isso) está na maneira como você pode organizar as partidas online com seus amigos. Quer dizer: AGORA SIM você pode organizar as partidas online, criando salas e hospedando partidas, ou se juntando a uma sala criada por um amigo seu (isso depois de vocês adicionarem um ao outro em suas Friend Rosters, é claro). Antes era uma porcaria você se conectar na WFC e contar com a sorte de as estrelinhas acenderem e tal pra finalmente você conseguir jogar com os seus amigos que já estavam com os Friend Codes salvos. Agora basta se conectar, escolher a opção Host, escolher o mapa, definir as regras da partida (com direito aos tradicionais modos Deathmatch, Team Deathmatch, Capture the Flag e outros) e chamar a galera pro fight.
Pena que essa facilidade não está disponível para partidas mundiais. Nelas você ainda tem que contar com a sorte pra achar jogadores. Não se pode ter tudo, né?
Outra coisa que vai te deixar bastante ocupado são os bônus que o jogo traz. Tem o Survival Mode, destravável após zerar o jogo uma vez no nível de dificuldade mais alto; tem o modo Challenge, onde você pode tentar vencer os desafios propostos (matar X inimigos em um certo período de tempo, por exemplo); tem armas extras para serem destravadas e usadas nos modos Multiplayer… Mas olha só, tem até as famosas “Conquistachievements” (20 no total), pra você se descabelar tentando pegar todas!
Call of Duty: Modern Warfare Mobilized pode ter seus pontos fracos, mas como um jogo de tiro em primeira pessoa para um console portátil, ele cumpre seu papel de uma forma ainda melhor do que seu antecessor, proporcionando uma ótima aventura Single Player e um Multiplayer prático e aprimorado, ainda que não seja perfeito. Se você tem DS, curte jogos de tiro, quer sentir um gostinho (mas só um gostinho, hein?) do Modern Warfare 2 e já estava cansado de jogos sobre Segunda Guerra, este game pode ser uma boa alternativa.
Call of Duty: Modern Warfare Mobilized foi jogado durante cerca de uma semana e meia para a realização desta resenha. Zerei o modo Single Player no nivel de dificuldade mais facil e joguei algumas partidas Multiplayer via Internet.
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