
O quê? Eu ouvi “coluna nova”? Sim, eu ouvi. E você também!
A partir dessa sexta, o meu grande amigo Claudio Prandoni — que, por acaso, também é um dos grandes novos talentos do jornalismo de games brasileiro, pode me cobrar em 2010 — vai estar estando trazendo até vocês a história, origens e curiosidades a respeito de algum jogo que era pra ter sido e não foi. Começamos a coluna com o lendário Mario 128.
Confira depois do continue. E não esqueça de participar nos comentários, seja criticando o texto, seja sugerindo jogos cancelados para ser abordados na próxima semana.
– Bracht
Dentro de mim existe aquela chama nintendista que brilha voraz quando algum jogo da tríade (ou seria Triforce?) Mario-Zelda-Metroid é anunciado. Hoje em dia tenho este sentimento um pouco melhor domado e apazigüado - ainda que tenha perdido um pouco o controle sobre ele por conta de Super Smash Bros. Brawl…
Há uns oito anos, quando eu era jovem, rebelde e inconseqüente, um dos games que botou lenha nesta fogueira foi o tal de Mario 128. Exibido na edição ano 2000 da finada Spaceworld, aquele mega evento bacana da Nintendo que deixou muitas saudades, o game tinha como propósito exibir o poderio gráfico e de processamento do recém-anunciado GameCube.
O demo começa mostrando um Mario pixelado que se transforma em dezenas de caixas sobre um tabuleiro à la Banco Imobiliário disposo numa superfície esférica. Algo familiar? Explico logo mais.
A parada progride e dezenas de outros Marios pipocam debaixo das caixas, fazendo um monte de estripulias. Uns pulam, outros dormem, alguns ficam jogando caixas nos outros, alguns ficam jogando outros Marios(!) uns nos outros, correndo de lá pra cá.. e assim vai. Ou foi. Ou ia.
Em certo, o japa que está controlando a demonstração — que, por sinal, é toda explicada por Shigeru Miyamoto — começa a aplicar efeitos diversos, causando terremotos e distorções no tabuleiro, filtros de cel shading, transparência e motion blur. No final da brincadeira, o cenário vira uma pizza que, por sua vez, vai pra dentro do compartimento para disco do GC. Claro, como não.
Nóia pura que, graças ao poder arquivatório da internet, você pode conferir pelo vídeo abaixo:
Em 2001 o GC foi lançado e nada de Mario 128. Como deveria constar em todos os livros de História do Ensino Médio, ele nunca foi lançado. Adiado por inúmeras vezes, ganhou outros nomes (lembra de Marionette?), virou lenda, foi cancelado, voltou, enfim, torrou a paciência do Miyamoto. E a nossa, obviamente.
No final, virou pó. Dizem as más línguas que se a demo fosse com o Luigi, teria virado purpurina, mas isso não vem ao caso. A Nintendo World #99 — uma com capa do Super Mario Galaxy — explica bem essa novela toda.
» O que sobrou de Mario 128?
Fatos: a tecnologia de dezenas de criaturinhas na tela fazendo ações diversas foi aplicada em Pikmin. O lance do terreno esférico? Rá! Super Mario Galaxy na veia. Já naquela época Miyamoto-san planejava fazer um game do bigodinho com essa característica. Genial.
Bem que a Nintendo podia liberar/vender/distribuir/empacotar num papel brilhante e dar de Natal para os fãs leais da empresa - tipo eu, você, o Bracht e muito mais gente. Quem sabe até no WiiWare…

Em algumas coisas, amigo, eu e você nunca colocaremos as mãos…