Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes
[Nota do Bracht: Eu ia deixar esse post "na geladeira" até que entrassem outros posts diferentes, pro blog não ficar tão puxado pro PC por tanto tempo. Mas o post é muito bom, então aturem só mais esse postzinho sobre TF2! ;P]
E, após um genial post do amigo Allec e um do chefe Bracht, trago a vocês mais um texto sobre Team Fortress 2. Sim, eu sei que aliena parte dos leitores, mas é tudo o que eu sei fazer. Isso e resenhas, enfim. Só que não é sobre atualizações, desta vez! Quero dizer, até é.
O último update, o WAR, introduziu o tão esperado sistema de criação de itens. “Finalmente”, pensei, “conseguirei ao menos UM chapéu para o meu Spy ou o meu Pyro”. Desde a atualização do Spy e do Sniper temos um sistema de “drop” aleatório no jogo, incluindo os super raros e procurados chapéus que poucos têm a sorte de conseguir. E que são legais pra caramba, diga-se de passagem. Por esse e outros motivos, um sistema de criação seria mais que bem-vindo! Ou pelo menos era o que pensávamos.
O sitema de criação na verdade é bem simples. Existem “plantas” (blueprints) para a criação de determinadas armas, equipamentos e chapéus. Em geral, essas plantas são para um único item ser feito utilizando “metal refinado” (Refined Metal). Esse metal refinado é adquirido combinando-se três peças de “metal selecionado” (Reclaimed Metal). E, como dá para adivinhar, metal selecionado é feito na combinação de três unidades de “sucata” (Scrap Metal). Já a sucata pode ser feita de várias formas, sendo uma delas combinando três armas idênticas (três Ubersaw do Medic, por exemplo).
Como podem observar, para conseguir uma peça de metal refinado é necessário ter 27 equipamentos para se produzir nove sucatas, depois três metais selecionados. Fazer um chapéu aleatório, por exemplo, requer três peças de metal refinado, então multipliquem o número anterior por três e precisaremos de 81 equipamentos previamente adquiridos através do horrível sistema de obtenção de itens do jogo.

Massa. Só que vocês vai precisar de muitos desses, Spy.
DIGAMOS, porém, que o senhor quer um chapéu aleatório para a sua classe favorita, por exemplo o Sniper. O Sniper tem três chapéus, e a “receita” para fazer um desses requer quatro peças de metal refinado, uma a mais que um chapéu aleatório, o que já adiciona mais vinte e sete equipamentos conseguidos antes aí na soma. Só que, para “especificar” a classe, é necessária uma Class Token (ficha de classe), que é produzida na combinação de quatro armas da mesma classe (neste exemplo, podemos usar um Huntsman, um Razorback e dois jarros de Jarate). No total dá… 112 armas para se fazer aleatoriamente um dos três chapéus do Sniper! E se por acaso você acabar conseguindo um que já tem, azar.
Os problemas não acabam por aí. Como o Fabio me apontou em uma conversa informal e não gravada no Steam, fazer um item específico de classe é babaca demais. Para fazer um, é necessário uma Class Token, uma Slot Token (três equipamentos do mesmo slot) e uma sucata. Nove itens. Só que pensem bem: para fazer uma Class Token, alguém já precisaria ter três itens da classe sobrando. A não ser que essa pessoa fosse muito azarada para conseguir aleatoriamente quatro Direct Hits e nenhum Buff Banner, por exemplo, esse sistema é totalmente sem sentido.
Por quê, então, Valve? Por que demorar meses para fazer uma tentativa de consertar o sistema de drops aleatórios se era para nos “presentear” com OUTRO sistema sem sentido, no qual precisamos de 112 armas para fazermos UM chapéu? Não me entendam mal, esse sistema novo, se bem executado, seria ótimo. Só que não é. É um sistema frustrante aparentemente feito às pressas e que dá vergonha só de olhar.
É, de repente, conseguir um chapéu de vez em quando por “drop” não parece tão ruim.
***
Os ótimos desenhos que abrem e ilustram este texto foram cedidos pra mim pelo genial JoPereira. O cara, além de muito gente fina e ótimo jogador de Team Fortress, é autor da ótima webcomic Nerf NOW!!, que foca em TF2, mas já teve tirinhas sobre vários assuntos. Um post à parte seria necessário para descrever o quão bom é o trabalho do cara, então vou ficar por aqui apenas dizendo que ele é brasileiro, então mandem bastante e-mail em português elogiando bastante e agradecendo, já que sem os desenhos para ilustrar este texto eu estaria ferrado. Valeu, Jo!
Posts relacionados: