
Apesar do meu emprego consistir mais ou menos em jogar videogame o dia todo, todos os dias, quando eu chego em casa a primeira coisa que quero fazer é jogar ainda mais. Sento e vejo as opções: tem Assassin’s Creed, Resistance, Army of Two, Fallout 3… no que eu pego o controle, ligo o videogame e começo a jogar Lumines. Quando pego o meu DS, minhas escolhas primárias são Planet Puzzle League e Peggle Dual Shots. No computador, com tantos jogos, eu corro para Audiosurf, Insaniquarium e Plants vs Zombies. Mas por que meu foco tem sido desviado a títulos casuais em maioria?
Sendo bem sincera, eu não tenho mais paciência pra muita coisa. Adoro dar tiro em cabeça de zumbi, matar gente com headshot, ver sangue voando pela tela, mas por ter pouco tempo de sobra para jogar, prefiro jogos que me dêem uma satisfação mais instantânea. Aquele papo de “ah, mas o jogo fica muito bom mais pra frente!” não cola mais; me sinto frustrada em gastar tempo pra, em algum momento futuro, o jogo ser “mó legal”. Quero que ele seja legal agora. Quero poder aproveitar o conteúdo dele de forma simples, rápida e prazerosa. Time is money, oh yeah.
Com o tempo, desisti de aproveitar “todo o conteúdo” de um jogo. Joguei só a campanha principal de Mirror’s Edge e achei fantástico, do tamanho ideal, numa dificuldade muito bem planejada. Fallout 3 e The Elder Scrolls IV: Oblivion foram devidamente finalizados, mas com menos da metade das sidequests completas. Não achei que o dinheiro tenha sido jogado fora, pois prefiro ter 10 horas de jogatina alucinadamente fantástica do que 50 horas de Final Fantasy.
Parece que hoje esse tipo de comportamento virou uma tendência. Matt Korba, co-fundador do estúdio The Odd Gentlemen (The Misadventures of P.B. Winterbottom) e Paul Bellezza, o produtor com o sobrenome mais divertido dos últimos tempos, disseram ao Gamasutra algo bem interessante:
Matt: Pessoas estão cansadas de jogos de 80 horas. Pessoas como nós cresceram jogando, mas não temos mais tempo de jogar algo com 80 horas. Acho que algo bom em jogos indies e curtos é que você recebe um conteúdo muito bom e muito satisfatório em um curto período de tempo. Isso é tudo que temos tempo para aproveitar.
Se jogarmos um jogo épico de 80 horas, podemos jogar durante alguns níveis ou algumas horas, mas é só. Mas esses jogos menores ou pequenas experiências são ótimas. Posso sentar, jogar numa noite, terminar o jogo e pensar no que farei no dia seguinte.
Paul: É como se eles tivessem um impacto grande em 10 minutos apenas, enquanto quando você joga um Final Fantasy ele tem seu impacto apenas depois das 80 horas. Esse é o momento que o jogo realmente se conecta a você. Quem precisa disso? Você pode criar uma experiência pequena e pontual que atinge o objetivo do que você quer sentir e fazer. É maravilhoso.
Antes, era como se você quisesse investir tempo pois não havia mais nada pra fazer. Todo jogo era assim. “Oh, demora umas três ou quatro horas pra pegar o jeito. Você passa o tutorial, e você consegue”. Foda-se isso. Você pode ter um jogo que você acha ótimo desde o momento que você entra nele. Isso é fantástico.
Eu concordo com esse ponto de vista. Quero ter uma experiência de jogo fantástica o tempo todo, e não só depois de aumentar 99 níveis, pegar uma arma fodástica, matar 1000 zumbis, ou chegar na última fase. Quero algo prazeroso como Mirror’s Edge ou Plants vs. Zombies.
O que vocês acham? Consideram que a chatisse de horas fazendo level “vale a pena”? Ou você quer que a pena se exploda e quer ter prazer o tempo todo pelo jogo que estiver jogando?
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