
Desde a época do Double Dragon no arcade, mas com mais intensidade hoje em dia, com a possibilidade de modo co-op via internet nos consoles da geração atual, existe uma verdade que é amplamente reconhecida: explodir coisas e socar faces com a ajuda de um amigo é muito mais legal.
Jogos recentes como Kane & Lynch: Dead Man (que o mundo todo aprendeu a considerar uma porcaria ainda pior do que realmente é), Gears of War, Halo 3 e Army of Two (que sai mês que vem e pelos previews não dá pra saber se vai SUX ou ROX — credo) exploram esse nicho de jogos especificamente feitos com o modo cooperativo em mente, mas francamente a fórmula ainda não parece ter sido desenvolvida à perfeição.
Aí que entra Faith and a .45, novo jogo da Deadline Games (de Total Overdose e Chili Con Carnage) recém-anunciado para PS3 e Xbox 360.
Ok, está certo que se não fosse pelo nome absurdamente estiloso provavelmente ninguém estaria dando muita bola para o jogo. Mas isso não significa que ele não tem potencial. Você estará no controle de Luke e/ou Ruby, um casal de foras-da-lei da década de 30. Sendo um casal, é natural que rolem umas bitocas, umas beijoquinhas, uns chameguinhos. Mas nada NSFW (eu acho).
Dá pra ver que a Deadline Games pretende duas coisas com essa mecânica de fazer com o seu parceiro seja também a sua namorada. Uma é apresentar novas formas de jogabilidade. Por exemplo, um beijo após um tiroteio pega-pra-capar é garantia de recuperar um pouco de energia. Só imagine os “machões” de plantão na Xbox Live tendo diálogos como “me beija logo, cara! Tô morrendo aqui!!” Só isso já valeria a intenção.
A segunda intenção, e mais interessante ainda, na minha opinião, é bolar um personagem secundário com o qual você realmente se importe durante uma partida em single player. Quando Ruby não for controlada por um macho do outro lado do país, ela vai ser pura e simplesmente a sua namorada virtual naquele mundo de fantasia. E deve ser difícil não se importar com um personagem assim no meio de tiroteios e assaltos. E a Deadline está fazendo o possível para não estragar essa parte tão importante do jogo:
Nós temos uma regra de design para fazer com que seja interessante e fácil de jogar junto à Ruby. Nós chamamos de ‘jogar com uma I.A. não roteirizada com a qual você se importe’ — esta é a frase que a gente usa internamente. Isso significa que Ruby deve ser capaz de tomar a inicitiva sozinha, não apenas reagir ou ser programada para fazer coisas determinadas. Isso veio basicamente de jogar outros jogos cooperativo — por exemplo, um jogo como Gears of War, onde você tem um personagem junto a você a maior parte do tempo, mas você não depende realmente dele. E meio que como se cada vez que ele morre, você simplesmente continua, e ele acorda de novo depois que a luta acaba. Não há uma verdadeira ligação.
Poucos jogos até hoje conseguiram criar personagens “companheiros” que realmente tocassem nos sentimentos do jogador. Um que me ocorre agora é Shadow of the Colossus, mas o cavalo Agro não é realmente um personagem. Do ponto de vista do design, ele é mais uma espécie de acessório, ferramenta. Que te permite percorrer as distâncias com mais velocidade e alcançar lugares inacessíveis. Mas mesmo assim, duvido que você não tenha quase derramado uma lágrima por ele no final do jogo (quem jogou, sabe).
Será que Faith and a .45 vai conseguir? Será que vai entrar pro hall da fama dos jogos que foram bem sucedidos em criar uma jogabilidade de parceria entre dois personagens? Ou será que vai ser mais uma boa intenção para povoar o inferno do ditado popular? Um dia a gente descobre.
[via 1UP]
Atualização: acabei de achar o trailer de estréia. Confere aí que é bem bom: