
O Destructoid, sempre ele, publicou no mês passado mais uma série de posts muito interessante, chamada “If you love it, change it”. Nela, eles discutiram como melhorar grandes franquias, dando idéias de coisas que podiam ser incluídas em jogos novos e tal. Um exercício de fanboyismo, até. Mas um exercício produtivo.
Em um post recente dessa série (o último, na verdade), Jonathan Holmes sugere uma simples mudança na série GTA. Até agora, todos os GTA foram estrelados por homens, sociopatas e sem muito a perder. Eu não conheço muito CJ, Tony Vercetti e o outro cara, mas Niko Bellic, que todos afirmam ser o protagonista mais profundo e convincente da série, nada mais é do que alguém sem limites e que só se interessa por dinheiro. Ele tem um passado, tem desejos, tem sonhos, mas em nenhum momento ele é simplesmente obrigado a entrar no mundo do crime. Entra porque é um sociopata, e parece gostar. Tudo que ele tem é um primo distante, afinal. O que está em risco?
A idéia do redator é mudar algo simples, mas que alteraria completamente o peso narrativo e a importância cultural do jogo. Ele sugeriu que fosse mudado apenas um detalhe: o sexo do protagonista.
Segundo a sugestão de Holmes, um protagonista mais interessante seria uma mulher. Mais especificamente uma prostituta, viciada. Se em toda a série tivemos a oportunidade de contratar essas “damas que trocam favores por dinheiro” (como diria Cardoso, do MeioBit), por que seria tão absurdo que pudéssemos encarnar uma delas?
Além do sexo e da profissão peculiares, ela seria mãe solteira de dois filhos. “Um filho de treze anos (que adora jogos com classificação M) e uma filha de sete (que tem todas as versões da série Imagine: Babiez)”. O instinto materno daria uma nova dimensão à personagem, e a personalidade das crianças seria gancho para vários momentos hipócritas. A mãe castiga o filho por jogar um jogo para maiores de 18 anos, e então vai às ruas e protagoniza esse mesmo jogo.
Holmes sugere uma história em três atos, que comece com ela na maior pobreza (pobreza americana, gente, que inclui TV a cabo e videogames), faça ela ganhar dinheiro e se transformar em uma “empresária do crime”, e acabei com ela se tornando a espécie de bandido mais poderosa que existe: um político. Sim, no fim da história a protagonista concorreria à Casa Branca.
Com esse cenário maluco, mas perfeitamente possível, um possível GTA V (ou GTA IV: The Whore Stories, que seja) teria a possibilidade de explorar muito mais facetas, criticar muito mais aspectos da sociedade e cutucar muito mais feridas (e muito mais profundas também). Os roteiristas da Rockstar já mostraram que têm talento suficiente para fazer algo como isso de forma convincente. E, convenhamos, se há uma série no mundo que pode ser dar ao luxo de correr qualquer risco, de tomar qualquer liberdade criativa, essa série é GTA.
Leia o post completo com a idéia (eu só expliquei por cima a visão do cara) e depois vamos discutir. O que você acharia dessa possibilidade? Se sentiria confortável em roubar carros e explodir cabeças de inocentes com tiros de shotgun (eu sei que você faz isso quando ninguém está olhando) na pele de uma mãe solteira? Teria algo a acrescentar? Particularmente, eu adorei a idéia.