Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

beleza
be.le.za
sf (belo+eza) 1 Qualidade do que é belo. 2 Harmonia de proporções, perfeição de formas. 3 Mulher bela. 4 Bondade, excelência. 5 O tipo da perfeição física. 6 Coisa bela ou muito agradável.
Tirando a terceira definição de beleza do Dicionário Michaelis acima, Flower é exatamente isso.

[+] Um colírio. Uma das maiores qualidades de Flower é, sem sombra de dúvidas, o visual. O jogo enche os olhos com uma paisagem bucólica mas que está longe de ser monótona. Grama de várias cores e tons, flores de várias espécies agitadas pelo vento, rochas e o céu, parece que tudo é feito com o único objetivo de ser bonito. Ah, sim, não existe marcador de espécie alguma na tela, nem vida, nem energia, nem nada.
[+] Técnica. Para ser bonito, tem que técnica por detrás de tudo isso, senão não adianta. É impressionante ver milhares e milhares de folhas de grama agitando-se ao vendo, e tudo isso indo até o horizonte, sem artifícios como neblina ou coisas do gênero. O cenário vai realmente até onde a vista alcança, e nao vai se desenhando conforme você chega mais perto. Olhando lá longe ainda dá pra ver a grama balançando. Fico imaginando o quanto os caras tiveram que otimizar o código para possibilitar isso.
[+] Pra lá e pra cá. Controles. Ou controle. Vire o sixaxis para os lados, para frente e para trás para mudar a direção. Aperte qualquer botão para soprar o vento. É isso. Chega a ser bonito de tão simples.
[+] Introspectivo. Dia cheio no trabalho? A vida é uma droga? Mergulhe de cabeça em Flower. Se você quer simplesmente um lugar para relaxar, seja bem-vindo. Pegue sua petalazinha e sopre-a pelo mundo, apenas ouvindo a música e apreciando a paisagem, fazendo manobras com o vento. Mesmo a história do jogo é subjetiva. Não há textos, cutscenes, nada. Você entendo como quiser. Está tudo dentro de você.
[+] Música. Não dá pra falar da música sem falar do resto. Assim como não dá pra separar o visual da música. É tudo interligado, e um não funcionaria bem sem o outro. Tanto é que o compositor dava palpites no design e vice-versa durante o desenvolvimento. A música funciona super bem, dando boa parte do clima, como uma boa trilha sonora tem que ser.

[-] Duração. Apenas sete fases, que eu acho que dá pra fazer um speed run de uma hora, uma hora e pouquinho. Mas você não vai querer fazer isso. Se quiser, bem, eu acho que você não pegou o espírito da coisa…
[-] Solitário. É um jogo introspectivo, como falei acima. Isso significa que é um jogo single player. Não existe a menor possibilidade de cooperação ou coisa do gênero. Vai por mim: é um tédio assistir alguém jogando por mais de dez minutos.

Flower é uma das melhores surpresas desse ano até agora para mim. Mas pode ser que nem todo mundo goste. Tive que me esforçar para imaginar dois motivos para que alguém não goste, porque pra mim o jogo merece nota dez com estrelinha.
Se LocoRoco é o jogo mais feliz do mundo, Flower é o mais bonito. Em todos os sentidos. Quando você larga o controle por um tempo, o jogo entra em um modo de proteção de tela, com paisagens e música. Tipo de coisa pra colocar de demonstração em loja de eletrodoméstico. De ficar olhando com o queixo no chão.
Considerando-se o valor, digamos, terapêutico do jogo, e o fator de rejogabilidade, no final das contas você acaba convencendo-se que U$9.99 é um preço bem razoável. Eu achei caro quando comprei, mas depois de alguns minutos de jogo já estava considerando uns dos 10 dólares mais bem gastos da minha vida de jogador de videogame. Don’t worry, be happy…
Flower foi desenvolvido pela thatgamecompany exclusivamente para o PS3, e distribuído via PSN por U$9.99. Para esta resenha, foram jogadas as 7 fases, em ritmo lento e tranquilo, mas não foram destravados todos os troféus.
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