Positivo?

Estava eu assistindo ao último Zero Puntuation quando me voltou à mente uma das “questões existenciais” que mais me ocupam nos últimos tempos. Sabe aquele tipo de coisa que você pensa, pensa, chega a várias hipóteses e vertentes de pensamento, mas todas elas parecem ser igualmente boas/ruins/inúteis e no fim é como se você não tivesse pensado porra alguma e ainda continuasse na estaca zero? Exatamente desse tipo de questão que eu estou falando. A questão dos reviews.

Mais especificamente, a questão de como levar os reviews para a próxima fase.

» Whatchamacallit?
Começando pela parte menos relevante do problema: como chamá-los? “Review” é um nome familiar para todo mundo, já foi amplamente usado pela maioria dos veículos… mas, tecnicamente, é errado. Eu não sou o cara mais técnico do mundo quando o assunto é linguagem — pra mim, o importante é que a mensagem seja passada ao leitor com eficácia e todo o resto é pura pirotecnia –, mas “review” é uma palavra em inglês e parece errado usar usá-la quando a língua portuguesa tem tantas palavras que podem substituí-la tão bem. Como “análise” e “resenha”. Qual a sua preferida? A minha é “análise” (mas vou usar “review” neste texto, porque já usei no título).

Mas a questão principal nem é o nome. Como eu disse, ela é a menos relevante. O que mais me preocupa é o sistema de avaliação em si.

» Números
Sites enormes e tradicionais como o IGN e o GameSpot são frequentemente detonados pelos leitores por usarem uma escala “de 7 a 10″, significando que todos os jogos, mesmo os abaixo da média (que mereceriam um 4 ou 5) acabam ganhando notas 7, tornando qualquer jogo abaixo de 6 um fracasso supremo e retumbante. Enquanto eu trabalhei na EGM Brasil, fui testemunha dos esforços do Fabio Santana em fazer os colaboradores (e os redatores) usarem a escala inteira. Ele sempre repetia que “cinco é a média, não sete”, tanto é que esta informação vem em CAIXA ALTA na revista. E também foi adotado um esquema de conceitos, onde a nota é traduzida em um adjetivo, de “péssimo” a “excelente”, e nós éramos instruídos a pensar primeiro nestes conceitos e só então aplicar a nota numérica de acordo com isso.

O problema é que a escala de 1 a 10 é muito grande. Ainda mais quando se usa os “meios”. Se você permite notas como 9.5, essencialmente, você tem que dar uma nota de um a vinte! Ou seja, são vinte “degraus” para determinar o quanto um jogo é melhor que o outro, sendo que na verdade eles nem deveriam ser comparados entre si pra começo de conversa!

Pense e responda sinceramente: o que você quer saber quando lê um review?

Posso estar errado, mas imagino que algumas perguntas que passam pela sua cabeça, mesmo que inconscientemente, são:

  • “Será que eu vou me divertir com este jogo?”;
  • “Será que ele é bom?”;
  • “Vale o meu dinheiro?”;
  • “Será que a espera/o hype valeu a pena?”;
  • Ou, no caso de um jogo que você não conhece, “Que diabo de jogo é esse?!”

Nenhuma dessas perguntas diz respeito a comparações entre um jogo ou outro. Quem em sã consciência compararia Super Mario Galaxy com Rock Band, Portal com Zelda, BioShock com Metal Gear Solid? Eu digo quem: quem só presta atenção nos números.

» Opções
Decidir como avaliar um jogo não é tão simples quanto decidir como chamaremos o texto da avaliação. Num mundo ideal, nós simplesmente escreveríamos um texto, você leria, entenderia a nossa opinião e todo mundo ficaria feliz. Pergunte para qualquer jornalista de games se ele gosta de dar notas numéricas para os jogos. A maioria vai dizer que não, eu tenho certeza. Mas nós sabemos que a maior parcela dos leitores entra no paradoxo de não ler. Eles olham as imagens, procuram a nota e formam a sua própria opinião improvisada baseados apenas nos números e não nas letras. Por mais que nós apreciemos muito mais o leitor que lê e comenta, nós não podemos nos dar ao luxo de desapontar o leitor que só passa o olho.

Então fazer reviews sem notas no final é improvável. Sobram outras opções além do clássico 1~10: cinco estrelas; avaliação por sentença (uma frase em destaque no fim do texto, que sintetize a opinião do analista e o conselho que ele quer dar ao leitor); barrinhas; conceitos (A+, D- etc)… Mas nenhuma delas parece especialmente boa.

» E agora? E o Continue?
Todo esse papo não foi apenas encheção de linguiça. O Continue terá reviews em um futuro próximo (talvez muito próximo, talvez pouco próximo), e eu realmente não quero fazer o feijão com arroz que vocês já estão acostumados a consumir. Portanto eu peço a sua opinião nos comentários e nesta série de enquetes abaixo. A sua voz será ouvida. Esta é a sua chance de moldar uma seção do Continue à sua vontade. Comente, faça-se ouvir. Publique este texto (com um link apontando pra cá) no Orkut, no fórum que você frequenta, quem sabe até no seu próprio blog. Espalhe! Eu saberei onde ele foi publicado e vou atrás para ler e saber a opinião das pessoas. E com base nessas opiniões eu vou planejar os nossos reviews futuros.

Porque você, leitor do Continue, sabe das coisas.

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