Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Você já deve ter ouvido falar de Tom Clancy’s EndWar, o jogo de estratégia da Ubisoft para o PlayStation 3 e Xbox 360
, que chega às lojas em alguns dias, no começo de novembro. Jogos de estratégia em tempo real para consoles não são novidade, mas sempre que um novo aparece, o cerne da questão é como serão mapeados os controles. Afinal, não adianta ter gráficos bacanas se você tiver de arrastar coisas na tela com um “mouse” imaginário. A Ubisoft resolveu a questão substituindo os comandos através dos botões por algo muito mais intuitivo: comandos de voz.
Baixei a demo do jogo essa semana e embora seja bem curtinha, dá para ter uma idéia do que aguarda os estrategistas nesse final de ano. E já adianto, é muito legal. Curte um bom game de estratégia ou quer apenas saber mais sobre esse negócio de gritar ordens para a televisão? A informação está aí embaixo, depois do Continue!
EndWar tem um roteiro bacana que justifica a Terceira Guerra Mundial de forma assustadoramente verossímil. A história da luta pelas reservas energéticas e a disputa territorial e armamentista subsequentes compõem o pano de fundo para a unificação das franquias Tom Clancy como Ghost Recon, Splinter Cell, Rainbow Six e mesmo as não-lançadas ainda, como Hawx. Na missão presente no demo você já percebe isso, tanto pelo vídeo de abertura quanto pela presença de Scott Mitchel, protagonista de Ghost Recon Advanced Warfighter, agora promovido à General. Ele é quem passa as missões para você, na campanha dos US and A. A interface é aquela coisa “militar-moderninha”, limpa e agradável.
O primeiro contato com o sistema de comando de voz se dá na hora de calibrar o microfone e nessa hora é bem esquisito. O jogo te ensina a montar as frases de forma lógica: “Unit 2 – Attack – Alpha” e coisas do tipo. Você tem que formar 10 frases que vão aparecendo na tela para poder continuar. Só que é uma tela preta, com as frases e uma barrinha mostrando o volume da sua voz no canto. E mais nada. Eu não sei vocês, mas eu me senti meio bobo falando bem alto para a TV. E o pior, cheguei a questionar a qualidade do meu inglês quando o joguinho não reconhecia de jeito nenhum a palavra “Retreat”.
Após algum tempo, peguei o jeito e terminei o tutorial/calibragem e fui para a missão, com o pé atrás depois desse primeiro contato. O cenário é bonito: Cabo Kennedy, Flórida. Um ônibus espacial no meio, prestes a partir para o espaço. Uns insurgentes querem tomar a base da NASA e claro, minhas tropas devem impedi-los e proteger as instalações. Eu recebo uma tropa de soldados e dois tipos de tanque, um bom contra outros tanques e outro bom contra helicópteros. Com os direcionais eu controlo a câmera, que sobrevoa o campo de batalha. Ordeno: “Launch nuclear strike!” e recebo o aviso da mocinha simpática no QG informando que essa função não está disponível. Droga, vai ser do jeito antigo, então. Vejo os rebeldes vindo para cima e mando meus soldadinhos pegarem eles. Péssima escolha, quando uma fileira de tanques inimigos vinham logo atrás. Ainda bem que meus tanques dão conta do recado e logo recebo uma nova unidade: helicópteros.
Não há microgerenciamento em EndWar. Conforme você progride, ganha mais reforços. Faz sentido, já que aqui você é um comandante e não o “pai da Nação”. Uma segunda leva de inimigos aparece, melhor equipados. “Launch nuclear strike!”… ainda não foi dessa vez. Os meus tanques, que protegem as instalações, detonam os helicópteros inimigos, enquanto os meus helicópteros chegam pelo flanco e acabam com as tropas de terra. Missão cumprida e gostinho de quero mais! E ainda ganhei uma tropinha “exclusiva” de Spetsnaz, aqueles Counter-Strike alemães, para usar no jogo completo.
Aquela sensação de aulinha de inglês desaparece logo que o jogo começa. Quando você vê a sua unidade na tela e o inimigo se aproximando, é tudo muito instintivo. Cada palavra de comando que você diz surge na tela e uma relação das possiveis ordens seguintes vêm ao lado, tudo muito rápido e sem atrapalhar o raciocínio. Admito que é estranho selecionar as unidades sem usar as mãos. A câmera livre é ótima para observar o mapa como um todo e com um clique rápido ela se fixa à unidade mais próxima. E você sempre pode ordenar que ela acompanhe um determinado esquadrão. Não deu pra ver muita coisa do sistema de evolução das tropas exceto que elas simplesmente são enviadas para o seu comando quando você realiza os objetivos, mas na versão final você também pode dar upgrades nas suas unidades.
Em um jogo cujo centro das atenções está no head-set, o som é um fator essencial. E a Ubisoft sabe disso, caprichando nos efeitos sonoros de EndWar, como explosões, tiros, bombas, o barulho dos motores. Inclusive a voz da operadora de telemarketing que se recusava a me liberar umas bombas atômicas vem pelo fone de ouvido, uma sacada simples mas genial em termos de imersão.
Tom Clancy’s EndWar chega ao PlayStation 3 e Xbox 360 em 11 de novembro e se você é fã de RTS, eu recomendaria não ficar de fora da Terceira Guerra Mundial da Ubisoft. Nos vemos no campo de batalha, soldados!
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