O tema da discussão do fim dessa semana (ou início, já que já é domingo…) não poderia ser mais simples. Portanto, vou direto ao ponto: quero perguntar a todos qual foi o momento — ou um dos momentos — mais catártico da sua história gamer?

Falo daquele momento em que você literalmente largou o controle, levantou do sofá e comemorou como se fosse o último gol marcado em uma disputa de pênaltis de final de copa do mundo. Aquele momento em que você fez algo que deixou de ser apenas mais um objetivo cumprido para se tornar uma espécie de realização pessoal, tão importante quanto ter passado de ano depois de um último semestre completamente pendurado nas notas.

Eu tenho dois ou três desses momentos para compartilhar, e depois é com vocês. ;)

[Spoiler Alert!] Pequenos spoilers de Gears of War e grandes spoilers de Call of Duty 4 à frente.

» DIE, RAAM! DIE!!!

Eu não sei o que acontecia, mas eu demorei — hm, vejamos… — mais de seis meses pra terminar Gears of War. Terminei ontem, por sinal, e foi isso que me deu a idéia desse post. Mas o último Ato foi tão foda que eu não consegui parar de jogá-lo até terminar. E eu não sabia que era o último; só quando cheguei ao chefe que me liguei que aquele era o bad guy da história, e portando poderia ser o último chefe do jogo.

Minha batalha contra o General Raam teve todas as fases clássicas de uma boa batalha contra chefe: a “o que diabos eu tenho que fazer pra não morrer nos primeiros dez segundos?”, a “o que diabos eu tenho que fazer pra matar esse cara?” e a “ahá, descobri! Agora só preciso conseguir fazer isso”. Depois de mais de 20 tentativas, jogando sozinho na dificuldade Hardcore, eu finalmente matei o infeliz. Com uma granada, depois de ter consumido toda a munição da minha metralhadora e já estar quase me entregando à morte dos desperdiçadores de balas. E eu nunca uso granadas.

Ao ver aquele monstrengo feioso caindo, morto, por vários ângulos diferentes, e assistir à subsequente e emocionante cena final, eu só não gritava de felicidade porque a namorada estava dormindo a uma parede de distância. Foi foda.

Ainda mais agora, que, lendo um pouco sobre o jogo, descobri que muita gente passa um sufoco desgraçado pra matar ele, e que há várias técnicas e manhas que podem ser usadas e eu não usei. Foi um dos raros momentos em que eu realmente me senti um bom jogador.

Agora só preciso de um parceiro pra terminar a dificuldade intense, no co-op, pela Live. Alguém se habilita? Falo sério.

» Chute certeiro

O ano era 199X, o videogame era o Mega Drive e o jogo era Beavis & Butthead. Sim, Beavis & Butthead. O trecho era um em que eu precisava entrar no Burger World pela porta dos funcionários (para jogar um rato morto nas batatas fritas, fazendo com que o cliente vomitasse um item que eu precisava — mas isso não vem ao caso). O caso é que a porta só abria com uma senha numérica, e não havia nenhuma pista no jogo inteiro que me apontasse essa senha. Se havia, eu não tinha passado por ela.

Mas nem precisou. Em um lampejo de genialidade que eu tenho plena consciência hoje em dia que não foi nem de perto tão genial como eu imaginei à época, eu simplesmente descobri a senha. Sozinho, sem pista nenhuma. Como?

Bom, o teclado numérico onde a senha devia ser digitada tinha um detalhe muito peculiar: letras. Igual aos botões de telefone. Se a senha era numérica, as letras não serviriam para nada. Mas, se as letras não fossem servir para nada, por que estariam ali? Então elas serviam para alguma coisa, e eu botei na cabeça que a senha era uma palavra escrita com o teclado numérico, não um número aleatório. A primeira coisa que eu pensei em escrever foi Burger World, mas só havia espaço para oito números. Hm… uma palavra com oito letras… PASSWORD! Tentei digitar os números que formassem a palavra PASSWORD, mas não funcionou. Então digitei a segunda palavra de oito letras que me veio à mente: BUTTHEAD. Funcionou.

Esse foi o dia que eu passei a achar que era esperto. :P

» Com o peso do mundo nas costas

Em Call of Duty 4, há uma fase em que você e um superior participam de uma missão de assassinato com sniper. Mas não é qualquer missão de assassinato com sniper. É a mais foda do mundo, sério. Mas, enfim. Depois da missão, obviamente toda a galera inimiga vem atrás de você e do seu superior. A fase consiste em ir até o ponto de resgate, onde um helicóptero de carga virá pegar a dupla.

No meio do caminho, os inimigos mandam um dos helicópteros deles para pegar vocês. Obviamente, você detona com o cocópito dos caras. Só que, ao cair, o bicho vem na direção de vocês. Manja aquela hora no MIB – Homens de Preto quando o Will Smith e o Tommy Lee Jones atiram em um disco voador, e ele cai com tudo bem na frente deles, só que eles sabem que não iriam ser atingidos e só ficam parados bem na frente do ponto onde o disco cai? Nessa hora do CoD4 rola um momento parecido com esse, só que o helicóptero inimigo vai acertar a nossa dupla. Por isso eles correm. Mas o seu superior já não é mais carne nova, e o helicóptero acaba acertando ele e quebrando uma (ou as duas) pernas do cara, em uma das cenas mais memoráveis da história dos games que eu já joguei. (Aliás, Call of Duty 4 está cheio de momentos assim.)

A partir daí você tem que continuar o caminho carregando o coroa. Depois de mais alguns encontros nada amistosos com esquadrões inimigos, vocês chegam ao ponto de coleta. Mas cadê o helicóptero de resgate? Atrasado, o maldito!

Então eis a situação: você e o seu machucado superior, encurradalados em uma clareira, com inimigos surgindo aos montes, de todos os lados, tendo que sobreviver por três minutos enquanto esperam por resgate. Foram os três minutos mais desgraçadamente difíceis da minha vida gamer. Sem exagero. Eu juro que decidi parar de jogar e me declarar vencido e desmoralizado por um software, mas o Luck não deixou. Me fez prometer que eu tentaria de novo, me disse que o jogo era maravilhoso e que eu perderia muita coisa. Aí eu tentei de novo. Não consegui.

Mas tinha me decidido. Que espécie de gamer seria eu se me declarasse vencido pelo jogo? Não, isso não poderia acontecer! Com renovada confiança, voltei ao front. E fui trucidado de novo.

Não lembro quantas vezes, quanto tempo, eu fiquei nessa parte do jogo, mas foi bastante. No início eu morria logo de cara. Aos poucos, conseguia permanecer vivo mais e mais tempo, até que finalmente consegui viver para ver o resgate chegar. Comemorando, larguei o controle e pulei pela sala, mas me virei a tempo de me ver morrendo de novo. Aparentemente, não bastava ficar vivo tempo suficiente para que o helicóptero chegasse. Eu teria que pegar o meu superior nos ombros e levá-lo até o cargueiro, sob a chuva de balas dos inimigos.

Isso até não seria tão difícil se não fosse por um detalhe. O único lugar onde eu consegui me esconder para sobreviver aos inimigos ficava diametralmente oposto ao ponto onde o maldito do meu superior ficava. Eu teria, literalmente, que sair correndo pelo meio dos inimigos, pegar ele e voltar — andando lentamente e sem poder atirar — até o helicóptero.

Respeirei fundo, liguei o foda-se, armei minhas granadas de luz (aquelas que entonteiam todos os inimigos ao redor). Lançando uma granada a cada meia dúzia de passos, tudo que eu vi foram clarões sucessivos e, às vezes, algum lampejo de onde eu estava e do estado dos inimigos ao meu redor — tontos. Tomei alguns tiros, e, sabe-se lá como, consegui chegar perto de onde estava o sargento. joguei mais uma granada (a última) perto do helicóptero, coloquei ele nos embos e fui.

Seria muita injustiça morrer naquele ponto, mas eu tomava tanto tiro que só conseguia pensar que o próximo que me acertasse seria o último. Mas o meu personagem estava tão determinado quanto eu, e recusava-se a morrer. Se em qualquer outro ponto do jogo ele tivesse tomado tanto tiro, teria morrido na certa. Mas não aqui, não agora. Não a dois metros da salvação e com um superior nos ombros. Não depois de tanto trabalho. Assim que ele chegou ao helicóptero, e este levantou vôo, eu gritei, pulei, comemorei, falei palavrões aleatórios, quase chorei. Foi o momento mais apoteótico que eu já passei com um videogame ligado.

E o seu, qual foi?

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