Timeline

Antes de mais nada, quero aproveitar para pedir desculpas antecipadas. O Discussão de Fim de Semana que o Lipedal nos proporcionou na semana passada abalou loucamente a minha autoconfiança. A discussão foi tão boa que ultrapassou os limites da nossa área de comentários. Casos de gente discutindo o assunto foram presenciados em fóruns diversos e em Birigui e adjacências.

Mas depois de uma crise emística (sim, sou emo. Não sabiam? Que bom, porque é mentira), concluí que somos apenas pessoas diferentes. Ele curte uma discussão mais política (e — por que não? — relevante), enquanto eu sou mais falar daquilo que discutiríamos se estivéssemos todos às três e meia da manhã rodeando uma mesa de bar — alguns certamente abraçados em suas cervejas.

Então famos falar de tendências de game design. Ou, como eu gosto de chamar, embora saiba que o nome é errado, as “modinhas”.

Esses dias eu estava no banho, lugar (estado de espírito?) onde as melhores questões filosóficas vêm à tona e as melhores decisões são tomadas, quando pensei num negócio. Esse mundo dos games é cheio das “modinhas”, né?

Quero dizer, veja o início da coisa toda. O pessoal nem sabia ainda o que era aquele tal de jogo de videogame que eles estavam programando, mas algo ali já criava forma. E era forma de navinha. Space Invaders, Galaga (usado para representar a época na figura acima), Xevious, Defender, River Raid e tantos outros jogos diferentes mas com a mesma temática: navinhas. Tiros. ETs e variações.

Dizem que era a influência da Guerra Fria na mente das pessoas. Elas morriam de medo de que a qualquer momento o mundo ia explodir em guerras e combates encheriam os céus. Talvez a memória da semi-recente corrida espacial entre EUA e Rússia tenha contribuído com toda a temática espacial da coisa. Mas o fato é que por vários anos todos os jogos de sucesso nos fliperamas da época eram shooters espaciais. De navinha.

Até chegar o Mario e inaugurar outro gênero-modinha: o de plataforma. É claro que o bigode não inaugurou o gênero, mas é inegável que ele só virou moda a partir dele. O que eu me lembro é que até o lançamento do PlayStation, lá pela metade dos 90’s, oito em cada dez jogos eram do gênero. Ou assim parecia.

Mais ou menos junto com os de plataforma, a partir da geração 16 bits, vieram os jogos de luta. A propósito, não reparem naquela timeline. Não fiz pra ser muito precisa, é só uma ilustração. Depois de Street Fighter II, presenciamos uma enxurrada fenomenal de jogos de luta. Samurai Showdown, Art of Fighting, King of Fighters, Mortal Kombat (claro!) e tantos outros não existiriam se Ryu e companhia não tivessem ganhado o coração e as moedas da galera com seus radúguens, roliúquens e alek-fús. E todos estes jogos são representantes dessa “modinha” que conviveu em harmonia com a dos jogos de plataforma.

Um parênteses. Notem que, como exemplificado pela modinha dos Adventures de PC, que durou boa parte dos anos 90 e depois praticamente sumiu, essas modinhas nunca morrem. Elas só se enfraquecem, em maior ou menor escala. Ainda hoje existem jogos tanto de navinha quanto de plataforma, luta ou qualquer outro gênero que já tenha existido. Não me recordo de um único gênero que tenha desaparecido completamente. Fecha parênteses.

O que nos deixa às portas da geração moderna de videogames, que começou com o advento do 3D. Os jogos de plataforma evoluíram e começaram a definhar em número, os de navinha há muito já tinham virado “apenas mais um gênero”, apreciado apenas por um grupo específico, e os de luta passavam por transformações que matariam boa parte das séries, adaptando-as para o formato que conhecemos hoje.

E, claro, essa nova era também deu a luz à sua própria “modinha”. Uma que eu tenho particular birra com, e que acho que já demorou demais para passar: os FPSs, jogos de tiro em primeira pessoa. Gente, olhem ao redor. Tem muito FPS nesse mundo. Demais. Mas, bom, não estou aqui para reclamar.

A discussão que eu quero propor (e notem a queda em relação à qualidade e profundidade da discussão da semana passada) é: quando vocês acham que o mundo vai “enjoar” de FPSs e uma nova modinha irá se iniciar? Ou será que já se iniciou outra modinha que talvez ainda não esteja bem estabelecida a ponto de ser facilmente reconhecida? Se não, alguém tem um chute bem viajante a respeito de qual gênero de jogo nós estaremos enjoados daqui a sete ou oito anos?

Dez cutam.

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