Há uma grande controvérsia sobre a validade de resenhas, especialmente no meio gamer. Como fazer uma descrição factual de prós e contras de um jogo sem colocar no meio um pingo de opinião própria? Como saber se os seus contras não seriam prós para outras pessoas? Eu frequentemente me pergunto isso enquanto leio resenhas de jogos que gostei, algumas vezes percebendo um ponto que até então eu havia ignorado, e outras vezes tendo vontade de chamar uma carrocinha pra levar o canalha que escreveu tal heresia. Independente da minha reação, é fato conhecido que concordar com algo positivo é muito mais fácil do que concordar com algo negativo — e muitas vezes eu preciso passar por cima do meu ego e do meu amor incondicional pra chegar à conclusão de que eu gosto do jogo exatamente como ele é, mesmo com todos os seus defeitos.

Parece fácil, não? Mas muitas vezes, também, não há como concordar com alguns dos defeitos apontados. Muitas vezes, o autor usa de todo o seu intelecto e malícia pra transformar o jogo em uma criatura maligna que deve ser destruída a todo custo. E, muitas vezes, o cara é um bundão.

Este é um texto sobre resenhas, fatos, opiniões… e Assassin’s Creed 2.

Eu escolhi AC2 porque é um jogo recente, mas poderia citar inúmeros outros casos aqui. Jim Sterling, do Destructoid, não gostou de AC2 — ele também não gostou de AC1 e, pelo visto,  não viu tantas melhoras na continuação. Sua resenha foi, em termos simples, extremamente destrutiva, e na minha opinião mostrou que ele estava deliberadamente tentando não se divertir, apenas pra ter o prazer de falar mal do jogo e esfregar na cara da Ubisoft as demandas por uma nota alta. Por outro lado, temos a resenha do nosso amigo Argus, que mais pareceu uma carta de amor, com os pouquíssimos defeitos mencionados apenas no fim do texto.

E aí, qual dos dois está certo?

Que fique bem claro, eu joguei e gostei do primeiro Assassin’s Creed, mas sequer encostei no segundo jogo ainda. Mesmo que tivesse, não poderia julgar nenhuma das duas resenhas pelo simples fato de que ainda seria a minha opinião. Entendem aonde eu quero chegar?

É um assunto bastante delicado tanto pra nós, gamers, que muitas vezes dependemos de resenhas para saber se algum jogo vale ou não nossos suados cento e poucos reais, quanto para os próprios autores ou, perdão, jornalistas dos games. Fosse um site menor, não tenho dúvidas que o Destructoid teria perdido muitos leitores graças à resenha do Sterling, simplesmente porque ela não dá espaço para um meio-termo: ou você odiou o jogo e concorda com cada letra do que foi escrito, ou você tem a mais absoluta certeza de que ele fez tudo aquilo por birra.

Faço parte desse segundo grupo, e acredito que a resenha do Argus cai no mesmo dilema — só que, como eu disse, é muito mais aceitável quando os aspectos são positivos, provavelmente porque não costuma ser proposital: ele gostou muito do jogo, e retratou isso na resenha. É perfeitamente compreensível, claro, mas acredito que dê pra ser crítico sem ser birrento, e dê pra ser fã sem ser alienado, como diria uma grande amiga minha.

Continuando, não é apenas uma questão de perder leitores, mas também de perder confiança. Parte do que me faz aceitar os defeitos de um jogo que eu gosto é saber que quem escreveu tem a cabeça no lugar. Saber que a pessoa não é guiada pelo fanboyismo, mas sim pela lógica e pelos fatos. É saber que, por mais que haja opinião envolvida, uma resenha é boa e confiável. Que eu posso ler a próxima resenha sem duvidar.

A solução mais aceita hoje em dia é encontrar um autor com uma mente parecida com a sua, pois, em um caso assim, os prós dele muito provavelmente serão os prós pra você, e vice-versa. É uma boa solução, mas o ideal seria que as pessoas crescessem um pouco e aprendessem a ver e gostar das coisas como elas são. Isso vale tanto pra jogos, como também para empresas — a Nintendo tem inúmeros defeitos, mas ela deixa de ser minha empresa favorita?

Não… e, na minha opinião, isso não é ruim. É ser fã, como todos nós somos.

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