É provável que você já saiba, mas é bom deixar claro: Guitar Hero é um jogo animal. Animal mesmo, a ponto de te viciar e não sair do driver do seu console por uns bons tempos. E se for com o controle guitarra, dê adeus a sua vida social (ou junte grana para um Rock Band), coloque o som no talo e jogue até seus dedos caírem. Guitar Hero é mais que um jogo: é um estilo de vida!
Tá bom, menos. Mas tudo isso foi só para fazer uma constatação: Guitar Hero não precisa mudar. Já é foda do jeito que está. É tão viciante que, fazendo uso do famoso ditado popular, podemos dizer que “se melhorar, estraga”. Não tem discussão. Fim de parágrafo.
Pois este sitezinho se atreveu a sugerir que Guitar Hero não é perfeito. Onde este mundo foi parar? Eles fizeram uma lista com cinco coisas que o jogo pode fazer para se manter atualizado em sua próxima versão, e inclui um pedal de distorção, solos opcionais e uma guitarra de dois braços. Pff…
Como tem que ser muito tr00 para fazer uma lista que preste, convoquei para o serviço a pessoa mais digna que eu conheço — eu mesmo — para criar coisas que poderiam deixar Guitar Hero em um grau ainda mais elevado de perfeição. Quer saber? Só depois do continue.
Permitir maior liberdade ao jogador
Certamente seria complexo, mas igualmente recompensador. Com a concorrência de Rock Band, que conta com a vantagem de criar uma maior sensação de estar em uma banda real, resta à Guitar Hero seguir por um caminho alternativo. E uma boa direção seria oferecer ao jogador um leque maior de opções na hora de tocar as músicas.
Esta dica também apareceu na já citada lista: solos semi-customizáveis, nos quais o jogador poderia escolher, entre diversos tipos diferentes de solos gravados para o jogo, o que mais se adapta ao seu estilo de tocar. É inclusive comum em bandas covers simplificar alguns solos muito complexos ou mesmo alterá-los para dar um ar de personalidade à músicas já conhecidas. Tal opção cairia como uma luva em Guitar Hero. O jogador poderia simplesmente escolher entre um solo alucinante com trocentas notas por segundo (que, apesar de mais difícil, poderia render mais pontos) ou algo mais seguro e melódico (no qual você tem a certeza de que não vai perder e pode até fazer uso da whammy bar) em um mesmo trecho da música. De quebra, ainda seria um bom modo de separar os fortes dos fracos, com maior variação nos scores.
É claro que as possibilidades são praticamente infinitas. Um modo — ou até mesmo um jogo à parte, quem sabe? — de composição de músicas, riffs ou solos também seria muito bem vindo, apesar de ser deveras ambicioso para a série. De fato, a Harmonix já tem atentado para a possibilidade há algum tempo, e é muito mais provável que eles sigam por este caminho do que a Neversoft, novata no ramo. Com certeza alguém irá citar a limitação de ter apenas cinco botões no controle guitarra, mas é bom lembrar que jogos como Electroplankton e Jam Sessions já fizeram algo parecido. E sem nenhum botão.
Aumentar a dose de ‘realismo’
Não, não estou sugerindo que a Activision envie groupies à casa dos jogadores (apesar de não ser uma má idéia). Me refiro à jogabilidade, que segue desde a primeira edição com o já batido esquema de separar as músicas em setlists de cinco canções, baseados em suas respectivas dificuldades. É verdade que no Legends of Rock houve a adição das batalhas contra os chefes, e é realmente louvável qualquer manifestação de renovação que venha da Activision, mas é impossível negar que aquelas partes tenham ficado ligeiramente deslocadas – pelo menos para quem já estava acostumado com o esquema dos outros games. Eu me refiro mesmo àquela sensação de deixar um pouco do progresso em suas mãos, e tenho algumas idéias para ajudar na criação deste feeling. (É, o Continue também entende de jargões musicais, tá pensando o quê?)
Para começar, montar o seu próprio setlist seria uma boa. Parece que o excelentíssimo e imponente Rock Band já oferece algum tipo de inovação neste sentido, mas como não sei bem como funciona (ainda não tive a oportunidade de jogar, estou esperando o próximo resultado da Mega Sena), já aviso de antemão que qualquer semelhança é mera coincidência.
Pois então: poderiam haver seções com umas 10 músicas, sendo umas 7 destas ainda inéditas, dando prosseguimento ao seu avanço no modo carreira, e as três últimas – assim como nos shows de verdade – poderiam ser aquelas em que o jogador objeteve a maior performance nos setlists anteriores.
Outras contribuições interessantes poderiam envolver um maior refinamento na transição das músicas para o jogo. Guitar Hero já é excepcional neste quesito (um dos pontos em que ele dá banho no concorrente), mas há espaço para melhorias na forma como as músicas são divididas entre os jogadores no modo multiplayer cooperativo, por exemplo. Nas músicas em que há duas guitarras, em vez de dividir entre guitarra base e guitarra solo, poderia haver uma divisão mais igualitária – como geralmente acontece na maioria das bandas, com os dois guitarristas executando solos. Por sinal, este conceito nos leva ao meu próximo tópico, que é…
Multiplayer com até quatro pessoas
Tudo bem que seria muita cara de pau copiar Rock Band e implementar microfone e bateria em um jogo chamado herói da guitarra. Mas isso não é razão para deixar o multiplayer limitado a dois jogadores. Se bandas como Iron Maiden possuem três guitarras, por que Guitar Hero não poderia? Com três guitarristas e um baixista, o multiplayer ficaria tão empolgante quanto o de Rock Band, e, de quebra, os solos poderiam ser divididos de forma a ninguém ficar sobrecarregado.
O único empecilho que eu consigo enxergar é conseguir criar uma linha diferente para cada instrumento em músicas de bandas que originalmente só têm um guitarrista. Mas isso não é uma necessidade: em casos de canções mais simples, a multiplicidade de guitarristas poderia servir simplesmente para ‘engrossar o coro’.
Desamericanização
Legends of Rock já foi um bom passo nesta direção, mas Guitar Hero ainda é uma série muito norte-americanizada. E como todo bom headbanger sabe, não existe país menos tr00 que os famigerados Estados Unidos da América.
Uma excelente alternativa seria apelar para as bandas do norte europeu e seus gêneros mais melódicos e virtuosos, pouco difundidos na terra do Tio Sam. É capaz da equipe de desenvolvimento acordar para o sucesso que o Dragonforce fez no terceiro episódio da série e incluir bandas com vertentes igualmente masturbativas em suas linhas de guitarra. Helloween, Gamma Ray, Hammerfall e, quem sabe, até os brasileiros do Angra (tá, eles não são europeus, mas nasceram no lugar errado) seriam boas escolhas.
Mais downloads com preço menos absurdo
Sabemos que é difícil conciliar todos os gostos musicais. Eu aprecio o bom e velho heavy metal, mas o Fabio, por exemplo, consegue gostar de porcarias como Foo Fighters e Weezer. [Nota do Bracht: Lef, limpe a sua mesa e vá.] Por razões como esta que um jogo como Guitar Hero precisa ser tão abrangente quanto possível. É claro que você nunca vai jogar “Deixa a vida me levar” do Zeca Pagodinho, mas o rock, gênero mais abrangente que eu conheço, possui inúmeras vertentes. E nada melhor do que deixar o usuário escolher quais cabem melhor no seu HD através de patchs periódicos com músicas pelas respectivas redes dos consoles de nova geração.
O que traz a tona uma outra questão: o preço dos downloads. Para aumentar a longevidade de um jogo como Guitar Hero e ainda agradar a todos os tipos de gostos, é preciso disponibilizar um grande número de atualizações. Mas isso se torna totalmente inviável caso o preço se mantenha na média atual, que é de cerca de 12 reais por três músicas.
Fica difícil estipular um valor justo, principalmente considerando que o próprio preço que os brasileiros pagam não é lá muito compatível com o pacote que Activision disponibiliza no mercado norte-americano. Mas podemos começar pelo princípio de que R$12 por três músicas é caro demais. Talvez a solução seja aumentar os pacotes, ou mesmo disponibilizá-los como um “set-list inédito” para uma hipotética turnê inédita de sua banda. Tanto faz: só sei que R$12 por um pacote com três músicas é quase tão absurdo quanto 16 reais por um jogo de Mega Drive.
- – -
A minha lista pára por aqui, mas você pode continuar nos comentários. Ou será que não é tr00 o suficiente para fazer suas próprias sugestões?
Posts Relacionados:
- Ops, nenhum post relacionado. Este post deve ser bem único!