Muitos sotaques estranhos, inúmeras sequências, e vários novos jogos da marca Imagine. Pensando bem, a conferência da Ubisoft não fugiu tanto do esperado. Mas a forma como eles apresentaram o conteúdo clichê até que fugiu do óbvio. Em uma apresentação que contou com surpresas e presenças estelares, a produtora francesa conseguiu (em partes) conquistar a audiência e contornar problemas técnicos com muita elegância.

A conferência começa com o anúncio de que a Ubisoft está fazendo parceria com diretores de cinema para utilizar suas engines de videogames para ajudar com os efeitos de pós-produção cinematográficos. Isso mesmo: os visuais do videogame estão num nível tão avançado que já podem ser aplicados no cinema — pelo menos segundo os franceses. A vantagem para nós, gamers, é que uma série de curtas baseados no universo de Assassin’s Creed 2 será lançada no fim do ano.
Também parte da estratégia de “convergência” da Ubisoft é o novo serviço Uplay, que parece ser um Steam wannabe, em que você poderá comprar jogos e discutir estratégias de jogos. Se a Ubi quiser ao menos chegar perto do produto da Valve, precisará comer muito feijão.

Depois disso, James Cameron entra no palco, e tenho que admitir que me lembro de pouca coisa dessa parte. Sério: o cara ficou tipo uma meia hora falando de como Avatar vai ser bacana (ele explicou literalmente o enredo inteiro do filme, só não contou o fim), e como o game baseado no filme precisava ser diferente do que se costuma esperar em um título de videogame baseado em filme. O jogo chega às prateleiras norte-americanas em 18 de dezembro, logo depois do longa-metragem.
Como que para me acordar, é chamado ao palco o responsável pelo desenvolvimento de Red Steel 2, da Ubisoft Paris. Definido pelo Joel McHale como “o cara com a barba mais assustadora no camarim da Ubisoft”, o sujeito tinha alguns sinais de excentricidade que eram externados principalmente através de seu visual e de seu discurso, aparentemente bem apaixonado pelo trabalho em que está envolvido. A demo apresentada era bem consistente, com as partes de espada e tiros agora mescladas e um ritmo de jogo muito mais intenso. Você já deve saber sobre a nova atmosfera do jogo, uma espécie de velho-oeste pós-apocalíptico com influências de Mad Max e A Torre Negra. O jogo está sendo desenvolvido especialmente com o Wii Motion Plus em mente, então a versão final também será vendida em pacote com o acessório. No fim da demonstração, vimos o personagem derrotar um chefão truculento que, ao morrer, cai no chão, pisca e e desaparece. Cabe a você decidir se isso é uma estilosa referência aos tempos dos 16 bits ou simplesmente um troço horrendo de feio.
Mais um jogo para o Wii: é hora de falar sobre Shaun White’s Snowboarding. Um trailer é mostrado, mas nada de cenas de jogabilidade. Usará, mais uma vez, a Balance Board, e aparentemente será exclusivo para o Wii para que os controles interativos possam ser aprofundados. (Pelo menos até o Project Natal ser lançado. E isso fui eu quem disse, não eles. =P)
Agora, a parte mais interessante da conferência — pelo menos para nós, brasileiros. Ninguém menos que Edisson “Pelé” Arantes do Nascimento é ovacioando ao ser chamado ao palco pelo apresentador, definido como “o maior jogador de todos os tempos e uma inspiração para crianças de todo mundo”. Mesmo não gostando de futebol, impossível não sentir nem uma pontinha de orgulho por ter um brasileiro tão representativo no palco da Ubisoft. Mas não durou muito tempo: foi só a entrada do trailer do jogo baseado no “personagem Pelé” falhar para que este sentimento fosse substituído pela vergonha alheia ao constatar que o Pelé não sabia falar inglês. Pelo menos ele contou com a ajuda de uma tradutora bem eficiente (depois de alguns “do you speak Portuguese/Spanish?”, ê laiá), que não só traduzia o que ele falava, como também reinventava o discurso dele quando este era pobre demais. Ainda bem, o Pelé saiu bem na fita. =)
Ah, o jogo. O nome é Academy of Champions e tem um estilo bem infantil, bastante voltado para crianças mesmo. Parece estrelar uma série de personagens bem no estilo “Turma da Mônica”, só que, no caso, estaria mais para uma turma do Pelé. Comparações com Harry Potter também não são descabidas, já que a “academia de futebol” é um castelo que lembra Hogwarts. Está sendo desenvolvido exclusivamente para Wii e parece fazer uso do Motion Plus.
A seguir, No More Heroes 2: Desperate Struggle é citado. Nada de trailer nem apresentação de gameplay, infelizmente. Esperamos que pelo menos esteja jogável no estande.

Tá, chega de Wii. Splinter Cell: Conviction é a bola da vez, e uma demo bem extensa (e bem diferente dos games anteriores) é mostrada. É a mesma que já havia sido mostrada na conferência da Microsoft. Bem violenta e extensa. Curioso é que o nome “Tom Clancy” voltou a ganhar destaque no logotipo do jogo, algo que deixou de acontecer desde o segundo da série. Mas quem se importa, mesmo?
Mas não foi tão impressionante quanto o trailer de RUSE. Jogo de estratégia, pareceu uma espécie de “batalha naval em uma mesa de touch screen em alta definição”. Não deu para saber como diabos isso será jogado quando for lançado para PS3, PC e Xbox 360, mas no trailer dois executivos super estilosos sentavam cara a cara e faziam gestos mega elegantes na mesa para fazer navios avançarem e canhões dispararem. Se isso for só marketing para enganar bobos como eu e o jogo acabar sendo controlado normalmente, com o joystick… bem, não deixou de funcionar. =P
[Nota do Bracht: o Lef é um garoto muito atento ao mundo dos games, mas por algum motivo deixou passar batido o RUSE, que já foi anunciado há algum tempo, na GDC 2009, e inclusive teve alguns vídeos de gameplay divulgados. Tudo bem, a gente perdoa.
O trailer mostrado na conferência da Ubisoft (e aqui em baixo) foi bem decepcionante para quem já conhecia o jogo e queria saber mais, afinal, foi apenas um repeteco do primeiro trailer divulgado, que não explica nada sobre o jogo.]
Depois de tamanha demonstração, hora de voltar aos jogos casuais. O apresentador pergunta ao público qual é a série mais vendida da Ubisoft nos últimos anos. Ninguém acerta, mas a resposta é previsível: Imagine, uma linha de títulos “alternativos” que a empresa tem lançado para DS desde 2007. São mostrados vários novos jogos da marca, mas nada que seja realmente inovador como quando a Nintendo revela seus jogos voltados para expansão de audiência. O pior é que são claramente caça-níqueis, já que cada jogo tem uma função bem específica. Por exemplo: há um game que é simulador de guarda-roupas feminino, outro que é simulador de maquiagem e outro que é simulador de bijuteria. Não poderiam ter feito destes três uma única (e mais satisfatória) compra?
Ainda visando o mercado casual, a Ubisoft anuncia Your Shape, mais uma tentativa de dominar o “gênero dos videogames que mais cresce atualmente: fitness”. Depois de algumas belas afinetadas em WiiFit e EA Sports Active por obrigar o jogador a segurar e ter um monte de acessórios para exercícios diferentes, a surpresa: o jogo funcionará com uma câmera bem parecida com a Project Natal (há até uma menção ao acessório da Microsoft), e será lançado exclusivamente para o fim do ano no Wii. Um trailer é exibido e o jogo parece bem mais genérico que seus concorrentes, mas a vantagem de fazer exercícios com mãos livres é inegável.
DAAAAHHH! Hora dos coelhos insanos — desta vez sem a participação de Rayman — irem para casa. A apresentação de Rabbids Go Home foi bem divertida, e os modos de jogo são bem interessantes. Veja o trailer por você mesmo. Nada de data, apesar de acharmos improvável que não saia até o fim do ano.
Para pôr um fim à conferência, nada melhor que um trailer inédito de Assassin’s Creed 2. Parece bem interessante, e o trailer pareceu receber umas influências de “Código da Vinci” e “Anjos e Demônios” no clima. Ficou faltando mostração ao vivo da gameplay mais uma vez, mas ainda assim foi melhor do que nada.
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