Exagero? Se você acha, é porque não viu o naipe e o peso do que a Microsoft mostrou. Em uma conferência sem erros e sem momentos constrangedores, a empresa mostrou que a Nintendo não é imbatível no seu próprio jogo.
Poucos minutos antes da conferência começar, eu conversava com o Caio a respeito do PSP Go. Eu dizia que acho horrível o hábito que a Sony tem de se preocupar mais em tentar tirar uma casquinha dos sucessos dos outros (controles de movimento com o SixAxis; distribuição digital de games com o PSP Go) do que em tentar construir os seus próprios. Afinal, não há nada de errado em usar uma tecnologia já existente para competir com o pioneiro de tal tecnologia… desde que você traga algo de novo.
E algo de muito novo foi o que a Microsoft trouxe hoje.
A conferência foi iniciada com a animação de abertura do jogo musical mais ambicioso de todos os tempos. A animação, toda lindamente desenhada, mostrou os fab four em todas as fases da sua carreira, enquanto tocavam músicas representando cada uma. Algo bem bonito para já ir acariciando os nossos olhos para o que viria a seguir.
Assim que terminou o vídeo, o pessoal da Harmonix fez uma demonstração do jogo, onde pudemos perceber basicamente duas coisas: os acessórios são bastante bonitos e fiéis aos originais (a bateria tem mesmo o logo dos Beatles no que seria o bumbo) e o jogo terá suporte a três vocalistas ao mesmo tempo. Não poderia ser diferente. A ambientação do jogo também é sensacional. Outro nível, em comparação aos jogos atuais, que só mostram personagens em palcos.
Dez faixas já foram confirmadas: I Saw Her Standing There, I Wanna Hold Your Hand, I Feel Fine, Day Tripper, Tax Man, I Am The Walrus, Back In The USSR, Octopus’s Garden, Here Comes The Sun e Get Back. O lendário álbum Abbey Road será 100% disponibilizado por download logo depois do lançamento, e a música All You Need is Love — que será exclusiva para os donos de Xbox 360 — reverterá os seus lucros para caridade. (Ele falou a qual a instituição, mas eu não lembro e você não se importa, né?)
O jogo, conforme já sabíamos, vai ser lançado dia 9 de setembro, e a Microsoft fez questão de trazer ao palco Yoko Ono, o filho e a viúva de George Harrison, Ringo Starr e ainda Paul McCartney, mesmo que a presença deles não tenha servido de absolutamente nada.
Depois da overdose inicial de Beatles, Tony Hawk entra para falar um pouco sobre o seu novo joguinho de skate. Visivelmente empolgado, ou ao menos fingindo bem, o toninho gavião não falou nada que a gente não soubesse, mostrou um trailer e saiu. No trailer, um moleque faz um ollie sobre uma escada (na vida real), e a escada explode. Pena que esse trailer não tem na internet.
Um dos jogos que mais estamos aguardando foi mostrado durante vários minutos. Vimos uma fase nos árticos, em meio a uma forte nevasca. Se você acha a neve de Lost Planet bonita, prepare-se para rever os seus conceitos. Uma das novidades mais legais foi uma arma com um visor-radar, por onde era possível ver a localização aproximada de outras pessoas. Muito útil quando não se pode ver mais do que um metro à frente do rosto, de tanta neve.
Também vimos uma cena empolgante envolvendo alpinismo e preocupações com a gravidade, sem contar um passeio em um daqueles trenós de neve motorizados, no qual vamos dirigir e desviar de pinheiros com uma mão e atirar nos feladasputas com a outra. Não, nada de Rio de Janeiro. Como a Microsoft tanto gosta de frisar: há exclusividades. Não, o jogo não vai ser exclusivo, mas alguns map packs serão.
Como se alguém ainda tivesse alguma dúvida, fica a certeza: vai ser jogaço.
O pessoal da Square foi lá para pagar mico falando em japonês só pra depois a intérprete ter que repetir tudo de novo em inglês. Mostraram o mesmo trailer que a gente já tinha visto, só que dessa vez com as vozes em inglês. Não falaram nada sobre as diferenças que o jogo terá no 360 em relação ao PS3, nem quantos DVDs vai ocupar.
A única “novidade” ficou por conta de um Summon, o Odin. Fãs de FF, me respondam: grande coisa? Pra mim não foi. O jogo vai ser lançado no segundo trimestre de 2010.
Uma das menores e melhores surpresas da conferência. Quando Cliff Bleszinski e um colega dele lá da Epic apareceram no palco, óbvio que todo mundo pensou em Gears of War 3, mas eles revelaram algo mais original: Shadow Complex.
Pensando bem, não dá pra chamar de original. O visual é parecidíssimo com o Bionic Commando Rearmed, lançado ano passado para Xbox Live, enquanto a jogabilidade, bem… não dá pra enfatizar exatamente o quanto é parecida com os antigos Metroids em 2D. Desde o mapa, cheio de corredores e dividido em quadradinhos identificados por cores, até o fato de que novos poderes e equipamentos te dão a possibilidade de explorar novas áreas, tudo remete a Super Metroid. O que é simplesmente perfeito, visto que a Nintendo aparentemente não quer fazer um jogo old-school da Samus Aran para o Nintendo DS ou WiiWare. Valeu, Epic!
Não muito a falar sobre este aqui. É um joguinho de corrida fortemente integrado com os avatares. Bonitinho, bem família. O que o torna digno de nota é que ele será grátis para todos os Gold Members da Xbox Live (quase todo mundo). Sim, de presente pra galera. O que vai ter é itens e pistas e coisinhas assim, que você vai poder comprar com MS Points.
Sem grandes novidades aqui. A grande notícia é o próprio anúncio de que o jogo está mesmo em desenvolvimento, e dessa vez parece menos colorido. O trailer, apesar de meio clichezão, está bem badass.
E então chegamos a um trailer que começa com as seguintes falas: “Filho, você ainda costuma rezar?” “Sim, mãe.” “Então reze mais, filho, porque não está adiantando.” (Não tem jeito, a Valve manja muito de roteiro.) Depois disso, é só um monte de zumbis, sangue, tiros, correria e tal, bem como a gente gosta.
De novidades, eu percebi três: um novo quarteto de sobreviventes, fases durante o dia e, a maior de todas, armas melee. Sim, não estaremos mais dependentes de balas! No aperto, machados, serras elétricas e pedaços de pau darão conta do recado.
Como disse o Argus no nosso liveblog, “isso é trailer de filme, sifuder”. E era mesmo. No mais impressionante trailer/demo da primeira metade da conferência, vimos mais detalhes da nova enrascada do Sam Fischer, e o que vimos foi bonito. O que ouvimos também foi: a dublagem está excelente.
O que eu realmente gostei mais foi a apresentação gráfica da coisa. Em vez de aparecer na sua tela alguma mensagem como “Novo objetivo: correr atrás do atirador”, ela aparece… mas não na tela. Em alguma das paredes, no chão, em algum detalhe do mundo do jogo. Assim como os menus de Dead Space, é outro esforço de um jogo em manter o jogador imerso no mundo do jogo em todos os momentos.
Eu nunca joguei ou sequer me interessei por nenhum Splinter Cell, mas esse me deixou na expectativa. Como eu disse no liveblog, “eu e o Caio já falamos ‘caraaaaaalho’ umas cinco vezes aqui.”
Mesmo eu tendo tentado muito gostar de Forza 2, sem sucesso, o terceiro capítulo desta série de corrida não falhou em me impressionar nesta conferência. Muito provavelmente isso aconteceu por causa da lábia dos apresentadores, que, apesar de não citar o nome “Gran Turismo” nenhum vez, claramente falavam sobre ele. E falavam que vai ser muito maior e melhor.
As características de comunidade ganharam um boost. O lance de personalizar carros vai ser mais completo e mais fácil de compartilhar. E também vai dar pra montar e gravar vídeos em alta definição. Foi mostrado um vídeo absolutamente estonteante, supostamente gravado assim. O jogo vai ser lançado em outubro agora.
Ok, eu não manjo nada de Halo, nem me interesso demais por isso, apesar de concordar que devem ser ótimos games para quem acompanha há um tempo. Fiquem apenas com os vídeos e tirem suas próprias conclusões.
Está aqui um jogo que dividiu opiniões. Vi muita gente que adorou o que viu e já coloca Alan Wake na lista de aquisições certeiras para este ano. Mas eu, pessoalmente, vi uma cruza meio esquisita (potencialmente legal, mas meio esquisita) de RE4 com Silent Hill. Mas que, mesmo com essas credenciais, não empolgou.
É um survival horror clássico, no qual você joga no escuro, com lanterna na mão, e toma sustos de coisas que se mexem sem aviso. Aparentemente há grande preocupação com roteiro e enredo, mas eu achei meio “meh”, com aquela coisa toda de “eu sinto uma presença maligna” e tal.
E assim acabaram-se as mostras de games, mas começou-se a falar de novidades sobre o console — algo que me empolga tanto quanto, senão mais.
A primeira novidade foi integração com o Last.fm! Assim como ano passado tivemos o boom da Netflix (que lá fora é um boom e tanto), este ano a Microsoft gostou da brincadeira e resolveu trazer mais serviços, começando pela rede social musical. Um detalhe interessante é que o serviço, que vai ser grátis a todos os membros Gold da Live possibilita ouvir rádios online por streaming, algo que costumava ser grátis no site, mas agora exige uma mensalidade.
A integração o Netflix também recebeu melhorias, mas isso não nos importa de nada. O que importa é que Facebook e Twitter também poderão ser acessados direto pelo Xisboca, em uma manobra que torna a Microsoft oficialmente a empresa mais antenada com os hábitos “extra-game” do seu público. Filmes, seriados, música, redes sociais… Tem tudo no Xbox. E com interfaces bonitinhas.
Bom pra quem comprou o tecladinho do controle.
E então, mais que de repente, ao som de um conhecido ruído de alerta, aparece um japa safado no palco da Microsoft. É Hideo Kojima, pronto para anunciar que a série Metal Gear acabe de virar multiplataforma. O (ou um dos) jogo novo que ele ficou promovendo por aquele site cheio de contagens regressivas se chama Metal Gear: Rising, e será um jogo de ação frenética extrelando o badass mais afeminado (e vice-versa) do mundo: Raiden.
É isso. Metal Gear, sim; Solid Snake, não. Ao menos por enquanto.
E na E3 2010, qual vai ser a exclusividade da Sony que a Microsoft vai quebrar? LittleBigPlanet?
Aí a coisa, que já estava andando razoavelmente bem, virou o acontecimento do ano. Começou-se a falar sobre a revolução dos jogos controlados via movimento, e sobre como havia rumores há tempos de que a Microsoft estaria trabalhando em algo assim. Hoje, isso foi revelado. E, por incrível pareça, é fenomenal.
Trata-se do Project Natal. É uma pequena barra, como a Sensor Bar do Wii, que fica perto da TV e “vê” você jogando. Ela capta e interpreta os movimentos do seu corpo inteiro. Pés, mão, cintura. E mais: expressão facial. E mais: voz. Essas três “inteligências” juntas abrem as portas para experiências de jogo MUITO diferentes das que estamos acostumados.
Não é uma cópia do Wii. É uma expansão em cima daquilo. E, devo dizer, é uma expansão absurda. Não há mais controles. Nas palavras da Microsoft, “você joga com o melhor controle que jamais será inventado: o seu corpo”. Isso derruba toda e qualquer barreira entre quem “sabe” e quem “não sabe” jogar videogame. Não há mais botões. Não há mais o que “não saber”.
Sim, é claro que o conceito não serve para todos os jogos. Eu pensei e discuti muito a respeito disso, e cheguei à óbvia conclusão de que não há como fazer um jogo Gears of War, Pro Evolution Soccer, ou nada muito complicado usando isso. Ou melhor, apenas usando isso. Mas dá para usar isso como um suporte a interaçãos fantásticas nos jogos. Se a Microsoft for bem-sucedida em fazer esse troço entrar nas casas da maioria dos donos de Xbox 360, será incrível o que poderemos ter em termos de interação.
Assista ao vídeo abaixo para tentar entender melhor:
Aí, quando todo mundo já estava de queixo caído com o que estava vendo, foi chamado ao palco ninguém menos que Peter Molyneux, para mostrar o que ele vem criando com a ajuda desta tecnologia. E ele mostrou Milo.
Milo é um garotinho que vive em um mundo que só existe dentro do seu videogame. Mas, graças à nova tecnologia da Microsoft, ele é capaz de interagir com o nosso mundo. Ou melhor, com a gente. O vídeo mostrado, junto aos comentários e explicações de Molyneux, é sensacional em maneiras que um amante de tecnologia como eu não é capaz de descrever.
Graças ao reconhecimento facial, Milo é capaz de olhar para você e saber se você está triste ou feliz, agitado ou calmo. Então ele muda a sua expressão e fala com você usando o tom apropriado. Você responde e ele entende. Ele propõe que vocês vão brincar à beira de um lago. A câmera do jogo mostra a superfície da água e então, graças à câmera do hardware, você se vê lá, no mundo do jogo, refletido na água. Mexendo os braços você agita a água, afugenta os peixes…
Num segundo momento, Milo pede ajuda em um trabalho de escola, ou algo assim. Você precisa desenhar alguma coisa. Então você pega uma folha no mundo real, desenha o que quiser, e passa para ele através da câmera. O real e o virtual se misturando através da criatividade. É realmente de outro mundo. Nem os Jetsons tinham algo assim.
Sinceramente, será difícil para a Nintendo e para a Sony trazer algo que faça frente ao que a Microsoft mostrou hoje. Mesmo sem contarmos o Project Natal, os jogos mostrados já dariam um ótimo show, mas ao adicionar esse elemento revolucionário a Microsoft tornou a sua apresentação uma das mais impecáveis da hitória da E3, pelo menos até onde eu sei. Da história recente, que seja.
Já disse isso várias vezes, algumas inclusive neste mesmo blog, mas não vejo maneira mais apropriada para terminar este post: eu adoro viver neste futuro.
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