infiniterecursion

Ontem foi feriado, o que significa que, além de dar um tapa na casa pra ela ficar relativamente limpinha no fim de semana, eu joguei muito Team Fortress 2. E, como quase sempre acontece, depois de jogar eu me senti meio mal. Parte disso, admito, foi por eu ter jogado — de novo! — mal pra cacete, mas boa parte foi por outro motivo: me senti mal por ter jogado uma coisa que não me leva a lugar nenhum, não evolui. Desta vez eu fiquei particularmente tocado pela situação porque decidi olhar os meus stats antes de fechar o jogo e descobri que já gastei mais de 190 horas nesse único jogo.

Nesse meio tempo eu poderia ter terminado Henry Hatsworth, Metroid Prime 2, BioShock e Lost Planet, todos jogos que eu já iniciei e não terminei. E ainda sobrariam um monte de horas, que eu talvez pudesse até usar para terminar o resto da série Phoenix Wright, que abandonei no segundo jogo. Tudo isso é culpa de um Jogo Infinito.

É um conceito óbvio, mas que eu só fui mentalizar hoje. Jogos infinitos são, obviamente, os jogos que não terminam. Antigamente eles eram escassos, tendo seus maiores exemplos em Tetris e outros puzzles similares, mas hoje parece que é o objetivo de todo jogo se tornar interminável.

» Team Fortress 2 já é interminável por sua própria natureza online competitiva, mas mesmo assim ele ainda tem o elemento das atualizações regulares. Mesmo que eu decidisse que enjoei e parasse de jogar, assim que saísse a próxima grande atualização eu com certeza voltaria correndo para o jogo.

» Rock Band 2 (ou qualquer outro jogo atual do estilo) vem com dezenas de músicas que oferecem, cada uma, quatro experiências diferentes, uma com cada instrumento. Chame amigos para jogar junto e pronto, a experiência já fica completamente diferente. Com um cartão de crédito internacional (coisa que se faz presente na carteira da maioria das pessoas que tem grana para comprar um jogo de mais de R$1000) e uma rápida visitinha à loja de músicas do jogo dá pra duplicar o numero de músicas com certa facilidade. Sem contar que toda semana eles colocam músicas novas. Essencialmente o jogo nunca termina.

» LittleBigPlanet chega a ser apelão nessa coisa de ser infinito. Primeiro você joga todas as fases offline, depois volta a algumas delas com um segundo jogador para acessar áreas exclusivas para dois ou mais sackpersons, depois entra nas community stages e joga as fases com referências as outros jogos, depois joga as que estão melhor avaliadas, depois dá uma olhada nas mais populares de acordo com o número de vezes que foram jogadas, depois adiciona alguns amigos e faz uma peregrinação pelas fases favoritas deles, aí se sente criativo e resolve fazer a sua própria fase — algo que vai te consumir mais umas 10 ou 20 horas facilmente se você quiser fazer alguma coisa bem elaborada. Depois de tudo isso você vai querer fazer tudo de novo, porque nesse meio tempo já terão aparecido centenas de novas fases.

» World of Warcraft sempre tem um item mais forte, uma quest mais difícil, uma raid mais complexa… Uma classe que você ainda não dominou, uma montaria que ainda não conseguiu… E quando você finalmente consegue tudo isso, a Blizzard vai lá e lança uma expansão com mais dez níveis pra cada classe e centenas de itens, quests e lugares novos para explorar.

» Audiosurf… não vou nem falar nada de um jogo que constrói uma fase a partir de toda e qualquer música que você tenha em mp3 no seu computador.

Os exemplos são muitos. Estes são só os mais próximos a mim, os que eu já experimentei na pele.

Agora eu pergunto: os jogos infinitos são bons ou ruins? São heróis ou vilões? Do ponto de vista econômico, eles são ótimos investimentos. Pelo preço até mesmo de um jogo longo, como Final Fantasy, que tem lá suas 40 horas garantidas, você joga bem mais que isso. Potencialmente por vários meses ou anos. Mas do ponto de vista do gamer hardcore, que gosta de acompanhar os lançamentos e curtir as evoluções dos games, isso tudo atrapalha.

Porra, eu até hoje não terminei BioShock, um dos jogos que eu tenho certeza que vou venerar para sempre como obras-primas, simplesmente porque quando finalmente arranjo um tempinho no dia para abrir o Steam o meu mouse vai direto no TF2! Eu comprei Metroid Prime 3 esses dias porque queria fechar a trilogia e jogar alguma coisa hardcore no meu empoeirado Wii… e até agora nem tirei o disco da caixa, porque não terminei o 2 ainda. Sem contar a série Phoenix Wright, cuja ausência no meu currículo me envergonha mais do que confessar que eu já fiquei pendurado pela mochila do lado de fora de um ônibus escolar em movimento.

A discussão dessa semana é sobre isso. Você joga algum desses jogos infinitos? Qual? Você gosta do fato de que o jogo não termina? Ou se sente como eu, como se estivesse perdendo tempo precioso? Você acha que eles fazem bem ou mal para a indústria? (Já parou pra pensar que uma pessoa que tem os seus templos sagrados de diversão infinita pode estar menos propensa a comprar outros jogos ou fazer upgrades no seu PC?)

Discutam, opinem, respondam os comentários uns dos outros… Não esqueçam que este blog é a sua mesa de bar lotada de gamers. ;)

Posts relacionados:
  1. [Discussão de Fim de Semana] Pais e filhos e jogos
  2. [Discussão de Fim de Fim de Semana] H-A-R-D
  3. [Discussão de Fim de Semana] Uma questão de feeling
  4. [Discussão de Fim de Semana] Multiplayer!
  5. [Discussão de Fim de Semana] Online é perda de tempo?