Não tem versão maior não, tarado

Metroid: Other M é um assunto delicado para alguns dos fãs da franquia. Ninguém sabe o que esperar dele, e ninguém sabe como se sentir sobre os novos elementos sendo introduzidos.

Mas será que eles são tão novos assim?

Eu estou vendo em todo lugar reclamações de que a Samus está sendo sexualizada, de que Metroid não deveria ter história, de que o Team Ninja vai arruinar a franquia, de que vai ser diferente demais, e até de que não vai ser Metroid em nada! Dá pra ver do que eu estou falando, né?

Bom, eu sei tanto sobre o jogo quanto vocês, mas vamos começar do zero: Other M é resultado de uma parceria entre a Nintendo e o infame Team Ninja, responsável por jogos com Ninja Gaiden e Dead or Alive. Basicamente, peitos saltitantes com uma pitada de ação, e é perfeitamente compreensível que você se sinta apreensivo sobre esta equipe estar cuidando de sua loira de armadura. Errado é achar que o Team Ninja vai transformar Metroid em uma de suas próprias franquias. Por quê? Saiba após o continue.

Sinta o poderoso bafo da discórida

Pra começar, todo mundo está confuso sobre essa parceria, de modo que anda havendo informações errôneas sobre as funções de cada equipe. Primeiramente, temos Yoshio Sakamoto, co-criador de Metroid, aquele que desde o início dirige, pensa nos cenários e escreve os scripts. É ele que, em Other M, serve de produtor e level designer — portanto, a não ser que o bom homem tenha tido alguma crise existêncial, não é necessária preocupação quanto às qualidades sumas de Metroid: exploração e ambientação. Além dele, três outros designers que trabalharam em Metroid no GBA estão cuidando do design principal junto com o Team Ninja, que é encarregado da programação e modelagem em 3D. Isso mesmo: o Team Ninja é resposável apenas pela aparência e devido funcionamento do jogo, e não por tomar as decisões sobre como esses aspectos serão tratados. Pouco mais do que peões de obra, portanto.

Ainda apreensivo? Pois bem, vamos analisar quais motivos a Nintendo teria para contratar, de todos os outros talentosos times de japoneses, justamente o Team Ninja para esse serviço. Pra mim, o mais óbvio é este: foi o Team Ninja o responsável por passar um clássico do NES (ao menos, ganhou popularidade no NES) para 3D e conseguir transformá-lo em um sucesso. Mesmo que você não goste de Ninja Gaiden, como eu não gosto, não dá pra dizer que a obra do Team Ninja deu errado.

Agora que eu esclareci a posição do Team Ninja, vamos falar de algumas outras reclamações, por tópicos:

» Metroid não pode ter história!

Achei que isso não era novidade para ninguém, mas lá vai: Metroid sempre teve história. Desde o início, ele foi feito com uma história, e quem não vê isso é cego. Cada jogo retrata uma parte diferente da Samus: em Zero Mission, remake do primeiríssimo jogo, ela volta ao planeta onde foi criada para eliminar piratas espaciais, e se lembra de sua criação; Super Metroid nos mostra a relação dela com o pequeno Metroid, a capacidade de se apegar a algo, até mesmo o instinto materno da Samus; Fusion, o mais linear de todos, nos mostra um insight na sua antiga vida como membro da Federação, e em seu primeiro amor, Adam Malkovich. Prime está fora da linha do tempo idealizada por Sakamoto, mas nos dá uma boa idéia da camaradagem de Samus para com os outros Hunters, e sua relação com a Federação.

Você pode gostar de Metroid por outras razões, mas dizer que a franquia não deve ter história é ridículo.

(Abre parênteses. Gunpei Yokoi criou Metroid junto com Sakamoto. Pra quem não sabe, Yokoi foi o mentor do Miyamoto, e o estilo do nosso querido japonês cheirador de cogumelos se reflete muito mais exagerado no mestre. Yokoi tinha um único objetivo: tornar o jogo divertido. Para isso, ele era capaz de qualquer absurdo, como bem podemos ver em Mario Land — que se dane o resto. Ele acreditava em conceitos simples e não tinha medo de usar clichês; por isso, acho que não concordaria realmente com a direção que Metroid tomou após o primeiro jogo, e que continua a tomar hoje, assim como o Miyamoto não concordou com a história de Super Mario Galaxy. Eu amei a história da Rosalina e dos Lumas. Portanto, irrelevante.)

» Samus está sendo sexualizada!

Acordem. Ela sempre foi assim — no primeiro jogo, era usada como revelação bombástica e sua aparência era recompensa para o jogador. Ninguém se lembra do biquini, por acaso? Era 8 bits, mas estava lá!

Foi a mesma coisa no Brawl. Ela aparece de Zero Suit, e o pessoal diz que está se tornando a nova Lara Croft. Até o meu amigo Argus, membro daqui do Continue, chegou a comentar que a sua voz e suas frases eram muito “de mulher”, visto que Brawl marcou a primeira vez em que Samus teve falas. Eu lhe mostrei a imagem que abre este post.

Aí eu acordo com o Bracht (e metade do 4chan) dizendo que os peitos dela estão enormes. Bando de frutinhas.

» Estão arruinando a Samus com essa história toda!

De longe o maior erro, mas também o mais justificado. Acontece que existe um e-mangá oficial de Metroid, disponível em inglês aqui. Mais do que isso, o estilo do mangá (e de outros mangás, especialmente o de Fusion) se encaixa perfeitamente com o de Other M, e a Samus de cabelo curto não é viagem do Team Ninja.

No mangá é revelado todo o passado de Samus, e as imagens de encerramento dos jogos de GBA fazem bem mais sentido depois de lê-lo inteiro. Prontinho, arruinei a Samus pra você. Foi mal!

Aproveito a oportunidade pra explicar o pouco que sei da história e jogabilidade de Other M. Logo depois da batalha final contra Mother Brain, que é mostrada em uma bela cutscene logo no início do jogo, Samus é resgatada por uma nave da Federação. Depois de sair de lá, ela recebe uma transmissão de uma nave menor nos arredores, e lá encontra um grupo de soldados, inclusive Anthony Higgins (REMEMBUH MEH) e Adam Malkovich. Apesar de alguma tensão sexual não resolvida… digo, apesar de alguma tensão, depois de matar um monstro roxo, Samus é incluída no time, que então se separa para explorar diferentes áreas da nave. No meio disso tudo, são mostrados alguns monólogos da Samus sobre o pequeno Metroid que se sacrificou por ela, e também partes de sua estadia como soldado da Federação — um dos significados do M do título é, aparentemente, Memórias.

Quanto à jogabilidade, o jogo terá vários elementos clássicos de Metroid. Exploração ainda faz parte, mas desta vez também há muita luta, e num ritmo muito mais frenético. Como eu disse no meu post sobre o Nintendo Media Summit, você controla a Samus com o Wii Remote virado de lado, usando o direcional; a qualquer momento, pode apontar o Wiimote para a tela e entrar em um modo de primeira pessoa, como em Prime, só que sem poder andar. Na batalha, entram os dodges, desvios cinemáticos de última hora que podem ou não resultar em um contra-ataque, e os conhecidos finishing moves — na verdade, luta corpo-a-corpo faz parte de Other M, e isso me faz pensar apenas em como a Samus vai ser foda no próximo Super Smash Bros. Nenhum dos power-ups da Samus ficou de fora, também, e a justificativa para ela não usar todos de uma vez só é que precisa da permissão de Malkovich, que é seu superior. Tenho minhas dúvidas sobre como isso vai funcionar.

Aliás, falando em power-ups, aí vai um pedacinho de informação: se você carrega seu canhão ao máximo e toma a forma de Morph Ball, Samus dispõe ao seu lado quatro bombas que explodem imediatamente. Espera-se que mais coisas assim apareçam no decorrer do jogo.

Bem, é isso. Até onde eu sei, Other M pode, sim, vir a ser uma bosta completa, mas não por esses motivos que as pessoas estão reclamando atualmente.

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