[Nota do Bracht: eu fiquei "offline" no fim de semana e combinei com o Pablo Raphael para que ele escrevesse e publicasse uma Discussão no Fim de Semana por conta própria, sem ter que passar pela minha edição. Mas acho que o camarada esqueceu, porque cheguei aqui hoje e vi o post "Pending Review".
Tudo bem, PR, a gente te perdoa. Mas só porque a discussão é realmente muito pertinente e bem apresentada!]
Uma das melhores coisas desse mundinho conectado deveria ser a tal da versão demo. Não é novidade, principalmente para quem joga no PC, mas se popularizou bastante com a consolidação das redes online nos consoles domésticos. Antes de comprar, baixe o demo e sinta um gostinho do jogo. É a experiência em primeira mão, com um impacto potencial no usuário muito maior do que previews, reviews, propagandas de página dupla ou vídeos na Internet. Se você gostar, vai comprar para continuar o jogo.
Essa é a teoria. Na prática, todo tipo de resultado possível e imaginável acontece quando se trata de versões de demonstração. Jogos ruins parecem melhores do que são e bons títulos podem parecer chatos e entediantes. E as vezes o jogo é exatamente o que estamos vendo, mas pensamos “é só o demo, no final vai ser melhor”. Dá pra confiar no demo? Vou compartilhar algumas experiências, a minha opinião e esperar as opiniões e histórias de vocês, depois do Continue.
Não é que toda demo é ruim ou ordinária. Já joguei algumas que eram bem honestas, como por exemplo, Bionic Commando Rearmed. O jogo é aquilo lá e é bem legal. Castle Crashers então, é um exemplo de como produzir uma versão de demonstração: duas fases quase inteiras, interrompidas de forma divertida no último instante para sugerir que você deve comprar o jogo completo.
Algumas são tão boas que alavancam a venda não só do próprio jogo, mas de outros! Vou citar dois exemplos: Quando Zone of the Enders 2 foi lançado no PlayStation 2, muita gente comprou o jogo não pela sua qualidade (e olha que é um jogão!) mas por que dentro da caixinha também vinha a primeira demo de Metal Gear Solid 2. Outro exemplo é o Blu-ray do filme Final Fantasy VII: Advent Children. Ok, é legal. É bonitão. Mas eu aposto que muitos proprietários do PS3 irão comprar o disco porque querem jogar a demo do tão aguardado décimo terceiro Final Fantasy.
Mas mesmo uma boa demo pode esconder certas revelações que afetariam o desempenho comercial do jogo completo. Voltando ao primeiro exemplo, já imaginou se na demo de MGS2 o protagonista fosse o nosso andrógino Raiden e não Solid Snake, ídolo das multidões? Hideo Kojima foi espertinho e não mostrou o novo herói para ninguém antes do lançamento.
Algumas vezes, a própria quantidade de downloadas da versão demo é alardeada como uma qualidade do jogo. Mas na verdade, só mede a curiosidade com relação ao título. Bioshock não é um jogo excelente porque sua demonstração teve um milhão de downloads e sim o contrário. Esse raciocínio invertido foi usado como jogada de marketing pela Silicon Knights depois que a mesma liberou o demo de Too Human na Xbox Live. O jogo é fraco, mas estava a tanto tempo em produção que muita gente queria ver afinal qual era a dessa bagaça. E claro, teve quem comentou “Espero que no final corrijam esses bugs”, mas o “final” era dali a menos de um mês e o jogo já estava pronto. Em outras ocasiões, o jogo é bugado e espinafrado pela crítica, vende mal… e aí alguém tem a brilhante idéia: vamos colocar uma demo na rede, assim os jogadores verão que não é tão ruim assim! Foi o que fizeram com Alone in the Dark, mas poderiam ter aproveitado o tempo para preparar um patch de correção para o jogo, o que seria muito melhor.
Há também os bons jogos que têm demos ruins. Digamos que você não leu nada sobre Soul Calibur IV, nunca jogou um dos excelentes games anteriores da série… mas resolveu baixar e testar a demo que foi liberada essa semana na Live e na PSN. Duvido que você compraria o jogo depois da experiência. Eu não compraria, depois que soube que na versão demo só há dois jogadores (mesquinharia, mas até passa, é só uma demo gratuita) e esses dois são… Nightmare e Sophitia. Sophitia! Fala sério! Eu demorei para acreditar quando o Fábio me contou isso. Não tenho nada contra a bela loirinha grega, mas ela não é exatamente a melhor escolha para passar uma boa primeira impressão, concordam?
E há a máxima “na versão completa vai ser melhor” que é a conversão do popular ditado “A esperança é a última que morre” para o dialeto gamer. O exemplo mais recente é o bacaninha Star Wars: The Force Unleashed. Belo visual, poderes da Força, uma fase inteira do jogo, abertura em CG com Darth Vader em pessoa e respiração pesada, TIE-Fighters e Stormtroopers para espancar. Aí você repara que o controle da Força não é tão preciso quanto gostaria. Talvez seja a dificuldade em programar a manipulação dos objetos tridimensionais, ou talvez você aprimore o seu domínio com pontos de habilidade na versão completa. A luta contra o chefinho no fim da fase envolve uma sequência obrigatória de “comandos de ação contextual” no estilo God of War. Mas não é empolgante, coisa que espero eu, seja melhor na versão completa. A própria fase apresentada é muito curta. “Mas com certeza na versão completa vai ser maior!” E não dá para rebater os lasers nos Stormtroopers com o sabre de luz, mas deve ser por que no jogo de verdade você precisa adquirir novos movimentos e não por esquecimento dos designers do jogo desse movimento tão bacana. E a câmera é tão falha quanto na maioria dos jogos de ação 3D. Mas até a versão completa, eles corrigem isso. Ah! E o protagonista Starkiller é vesgo nas CGs, mas na versão completa… vocês sabem o que eu quero dizer.
Por essas coisas que eu não confio muito em demos. E vocês, leitores do Continue, o que pensam sobre o assunto? E quais demos vocês recomendam… ou não?
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